FUNDAMENTOS DA TÉCNICA PSICANALÍTICA

Fundamentos da técnica Psicanalítica
Apresentação: Os fundamentos da Técnica Psicanalítica a disciplina que
inicialmente nos ajudará a nortear nossas atividades. Aponta para as
possibilidades existentes nas ações do profissional da Psicanálise.
Evidentemente, há de considerar que nenhuma ideologia ou formulação
teórica, seja ela qual for, é por si só capaz de abranger a totalidade de uma
disciplina. No entanto é importante ter pontos de partida, e é, exatamente o
que propomos com o presente trabalho. Um ponto de partida que ajude-nos a
melhorar nossas buscas neste processo da caminhada profissional.
O CETAPES, objetiva contribuir com essa jornada “acadêmica”, na
capacitação profissional. Assim, esperamos que possamos alcançar juntos os
rumos almejados por todos nós.
É importante pontuar que este trabalho visa contribuir e não constitui-se
como o único norte do módulo, assim, lembramos a nossos colegas de estudo
que há outros materiais que devem ser pesquisados, disponíveis em nosso site,
e ainda no e-mail do curso. Mas também, há uma infinidade de material como
vídeos, livros, revistas, artigos que estão disponíveis na internet, que
cuidadosamente podem ser utilizados como fonte de pesquisas.
Os docentes não devem ater-se unicamente a um referencial teórico, nem
tão pouco limitar-se ao uso exclusivo da apostila, mas, deve propor, apresentar,
fomentar novas buscas. Assim estará de fato oportunizando um crescimento
multiforme e igualitário, que levem os “alunos para além dos livros e da escola”.

FUNDAMENTOS DA TÉCNICA PSICANALÍTICA
Saberes psicanalíticos
 O EIXO TEMÁTICO DA PSI É O CONHECIMENTO
 O PSIQUISMO NÃO É SÓ CONSCIÊNCIA
 FREUD CUNHOU O TERMO PSICANÁLISE EM 1896
Como o ser biológico se torna um sujeito social importa a psicanálise saber
que verdade está em jogo no sintoma, e como o homem se posiciona diante
disto que fazendo-o sofrer, ao mesmo tempo o constitui.
“Nada é meramente psíquico ou meramente somático” (Freud)
 Inseparabilidade do ser.
 Freud mostrou que as emoções somatizadas refletem no corpo.
 As emoções aparecem em todas as pessoas e influem sobre o
organismo.
 As emoções são reações naturais que têm uma qualidade adaptativa.

Os Estados Mentais
Perturbadores – Produzem uma experiência emocional desagradável.
 Raiva
 Tristeza (profunda)
 Ansiedade (generalizada)
Os Benéficos – Produzem uma experiência emocional agradável.
 Otimismo – Fortalece o sistema imunológico
 Confiança – A sensação de sermos capazes de lidar
com uma situação difícil é um estado mental
positivo.
 Alegria – A sensação de alegria na vida.

O método Psicanalítico
“É um tratamento baseado na fala, em que o fato de se verbalizar o sofrimento,
de encontrar palavras para expressá-lo, permite, se não curá-lo, ao menos
tomar consciência de sua origem, e, portanto, assumi-lo” – Elizabeth Roudinesco
 Um tipo de terapia centrada na palavra.
 Um método de investigação.
O que é o processo psicanalítico?
É configuração total das relações interpessoais que se desenvolvem no
conjunto de fases dentro da situação analítica como um todo, na relação entre
o Psicanalista e seu paciente.

Fundamentos preliminares à entrada no processo de uma análise
 Pedido de ajuda (auxílio)
 Pedido de análise (a vontade de querer saber o que se tem a ver com isso)
 Desejo de análise (decisão de empreender o trabalho)
Anasabilidade
Segundo os didatas mais famosos, toda vez que não existir uma contraindicação
específica, a Psicanálise é indicada. A Psicanálise é recomendada para
os casos de neuroses ou distúrbios fóbicos classificados na CID10.
Contra-indicação para o tratamento que implique:
 Fator idade
 Fator inteligência
 Fatores circunstanciais
 Transtorno da personalidade anti-social
 Fator econômico
 Fator tempo
 Fator intimidade
 Fatores clínicos de contra-indicação

O Par Analítico
A figura do Par Analítico surge em decorrência da analisabilidade. Se os
requisitos para a situação analítica são satisfatórios, de modo a formar uma
dupla de trabalho, uma aliança terapêutica. Par Analítico é, portanto, o melhor
analista Para determinado paciente e o paciente adequado para determinado
analista.
O trabalho do analista
Fomentar – no sujeito o trabalho de investigação, de escuta da própria
fala, de intriga quanto a si mesmo.
Atuar – como veículo para que o sujeito explore suas possibilidades de
existir e aprenda algo do desejo que se move.
A clínica psicanalítica não é senão a clínica dos desejos e seus impasses.

O ambiente ideal para análise
O ambiente é de fundamental importância para que se possa fazer um bom
trabalho analítico. O consultório é um “laboratório”de atenção centrada no
paciente, observação,interpretação e análise dos conteúdos expostos.
Disposição de um consultório:
 A sala deve ser de tamanho razoável;
 Deve possuir os móveis apenas necessários;
 Não deve ter nas paredes nada que chame a atenção;
 Deve ser ambiente de pouca claridade;
 A cortina deve ser de cor neutra;
 Devem-se evitar enfeites sobre a mesa;
 Se tiver estante, nela devem ter apenas livros;
 Deve ser ambiente afastado de ruídos;
 Deve ser um ambiente limpo e agradável;
 A disposição dos móveis e demais pertences deve ser harmônica;

 O divã deve ser confortável e suficientemente largo para acomodar
quaisquer pacientes;
 A cadeira do analista deve estar disposta por detrás do divã, de
maneira que o analista não seja visto pelo, paciente enquanto
livremente associa;
 Não deve ter telefone nem campainha que soe dentro da sala;
 Deve existir uma ante-sala levemente decorada para a recepção.
 É sempre bom ter água e cafezinho a disposição dos pacientes;
 Quando se trabalha com crianças aconselha-se manter frascos com
balas variadas;
O ambiente deve oferecer ao paciente oportunidade de bem estar. Ele
deve ter a sensação de que aquele local é o mais agradável possível para os
cinqüenta minutos de análise a que tem direito.

ANAMNESE
Anamnese é o primeiro, ou Segundo contato. É ocasião em que o paciente
chega ou é trazido. Na mesma convém ressaltar que sua utilização
proporcionará uma compreensão atual do paciente.
Ficha (sugestão)
Nome completo:
D/N
Filiação
Estado Civil:
Hábitos:
Passatempo preferido:
Entrevista
Sua finalidade é de modo mais amplo que na anamnese, decidir se a
pessoa que consulta deve realizar um tratamento psicanalítico ou de outra
natureza. Também nela se terá uma visão mais profunda das contra-indicações.

Na entrevista devemos facilitar o entrevistado a livre expressão de seus
processos mentais.
A entrevista sempre se realiza face a face e o uso do divã está
formalmente afastado.
O Contrato
É um acordo sobre as bases ou as condições do tratamento. Vale a pena
assinalar que o contrato psicanalítico não só implica em direitos e obrigações,
mas também riscos, os riscos inerentes a todo o empreendimento humano.
Principais itens do contrato psicanalítico:
1. A questão das anotações – Anotações não são uma obrigatoriedade.
2. Uso do divã – Freud o concebeu para possibilitar o maior relaxamento
possível ao paciente enquanto fala, e ainda, para melhor administração da
carga transferencial.

3. Intercâmbio de tempo e dinheiro – No contrato o psicanalista deve fixar o
seu preço e o modo de pagamento. O psicanalista informará que aqueles
50 minutos pertencem ao paciente.
4. Frequência e duração das sessões: Freud psicanalisava com cinco (05)
sessões semanais, dando folga apenas nos fins de semana, contudo, com o
passar do tempo, as condições econômicas e do próprio tempo tem
mudado.
5. Férias – O psicanalistas deve contratar também o seu período de descanso
semanal, os feriados e anual.
6. Pagamento das faltas – Deve ficar claro que a sessão agendada é dele,
quer compareça ou não. Isto aumenta a responsabilidade do tratamento.
7. Mudança de horários – Não deve ser
de tudo proibida nem incentivada.
8. O material onírico – É importante dizer ao paciente que no sonho as
informações são completas e de bloqueios, portanto, os sonhos devem ser
relatados.
9. Regra da Livre Associação – Dinâmica

Regra da Abstinência
Por abstinência entendemos o não envolvimento do psicanalista com os afetos
ou os problemas do paciente. O analista deverá trabalhar a contratransferência
que sempre ocorrerá.
Postura do Psicanalista
O Psicanalista deve vestir-se bem, sem ostentação. Na recepção do paciente
deve estender-lhe a mão para um bom dia, boa tarde ou boa noite sem
exageros.
E quando de encontros fora do consultório?
Cumprimentamos, sem fazer qualquer referência à condição de paciente e
psicanalista.
Aliança Terapêutica

Segundo Zetzel, Aliança Terapêutica é uma espécie de transferência racional.
Aliança Terapêutica não precisa de interpretação.
Transferência
Trata-se da perspectiva emocional do paciente diante do analista. Na
transferência é despertado o protótipo de pai ou mãe reprimido dentro do
paciente.
Contra-transferência Segundo Etchegoyen: “É uma resposta emocional do
psicanalista aos estímulos que provêm do paciente, como resultado da
influência do analisado sobre os sentimentos inconscientes do profissional”.
Angústia da Separação
Fenômeno que percebemos em alguns casos, desde as entrevistas, onde o
paciente apresenta uma sensação de abandono, quando o seu tempo vai
terminando, como se estivesse para perder algo muito caro.

Na angústia da separação aparece um suave quadro de depressão situacional
Entendemos por interpretação o método de deduzir o que o paciente tem em
sua estrutura emocional e lhe comunicarmos. Interpretação é, portanto, a
aplicação da racionalidade ao material que nos é oferecido através da livreassociação.
 Segunda etapa – O mesmo que etapa média. É a mais
longa e criativa. Começa quando o analisando
compreendeu e aceitou as regras norteadoras do
processo.
 Terceira etapa – O término da análise. Deve durar, o
suficiente para que a reação terapêutica negativa seja
vencida, para que a angústia da separação definitiva seja
interpretada e assumida.
Análise interminável
1. O que é?

Trata-se do processo didático eleito pela SPOB. Tal processo propiciará o
estágio, o auto-conhecimento e o amadurecimento como profissional.
2. Precedentes do processo:
Este processo vem sendo utilizado no Brasil através da ABPC e também foi
empregado com sucesso pela Escola Superior de Psicanálise.
3. A eficácia:
O processo é eficaz por oferecer oportunidade de ver casos enquanto o
psicanalista em formação avança no estudo das teorias e das técnicas.
4. O paciente piloto:
Deve ser o objeto de escolha e convite por parte do psicanalista em
formação dentre pessoas do seu universo de atividade e relacionamento.

5. Postura do psicanalista em formação:
O psicanalista deve explicar toda a sistemática antes de iniciar o
tratamento propriamente dito.
6. O “modus faciendi”:
a) – O paciente será tratado de modo formal.
b) – Deverá ser usado o divã ou substituto, com frequência.
c) – O paciente será conhecido por um pseudônimo.
d) – As fichas de controle didático serão preenchidas com o pseudônimo.
e) – Aos paciente será dada a garantia de inviolabilidade total.
f) – O paciente em formação fica impedido de fazer qualquer referência
em público ou não sobre casos clínicos de seus pacientes.
g) – Toda vez que tiver às mãos paciente surtados ou com psicoses
instaladas, com quadro de irrealidade clara, deve encaminhá-los a um
psiquiatra, solicitando-lhe posição sobre a validade de um acompanhamento
psicanalítico e os limites do mesmo.
h) – O psicanalista em formação deverá redobrar os cuidados quando da
interpretação.

7. O controle:
O psicanalista em formação preencherá, para cada paciente, uma ficha
com relatório final. Tal relatório será feito quando o paciente tiver alta ou
abandonar o tratamento.
8. O tempo:
Sugerimos que os pacientes sejam submetidos a um período de cerca de
(de acordo com o número estabelecido pela SPOB).
9. O credenciamento:
O psicanalista em formação receberá, em data estabelecida pelo Conselho
Acadêmico uma credencial com número e prazo de validade.

10. Os riscos:
Quando ouvimos muito e bem, encaminhamos corretamente e
interpretamos com zelo e procedência, os riscos são quase totalmente
eliminados.
11. Órgão de acompanhamento:
O Conselho Acadêmico, sob a presidência do Dr. Oséias da Rocha
Machado, é constituído de todos os psicanalistas didatas e dessa sociedade. A
diretoria do Conselho responderá no imediatismo.

Conclusão
A psicanálise como dito anteriormente (Módulos anteriores) é a
associação livre de idéias. É o processo de análise por vias da associação,
justamente por isso é necessário ter rumos e formas definidas, e planejamentos
estratégicos de ações pretendidas, a fim de não perder-se no próprio trabalho.
Assim uma disciplina como a presente justifica-se e faz-se necessário. Estudar os
fundamentos da técnica é atentar-se a um processo que será longo, mas que,
está calcado em bases sólidas. Pelas bases que nos erigimos saberemos se
nossas edificações serão sólidas, ou se, estarão fadadas ao fracasso.
Lembre-se que: Os caminhos trilhados pelo psicanalista são construídos
pelo profissionalismo com que encara e planeja seus atos e suas atividades
profissionais.

Bibliografia:
FREUD, ANNA, O Ego os Mecanismos de Defesa.
Biblioteca Universal Popular. RJ.1968
FREUD,S., Edição Eletrônica das Obras
Completas de Sigmund Freud. Imago.RJ.1997
GREENSON, R.R., A Técnica e a Prática da
Psicanálise.Ima.RJ.1981
ZIMERMAN, DAVID E, Manual da técnica
psicanalítica, uma re-visão. Porto Alegre. Artmed,
2004.