A RELIGIÃO

                     A religião

Diante de tantos escândalos recentes no Brasil envolvendo líderes religiosos, achei prudente expor uma breve visão sobre o tema religião.

Dentre os escândalos recentes tivemos: os casos de enriquecimentos de líderes religiosos brasileiros conhecidos internacionalmente. Em um passado bem recente, assistimos pelos noticiários os desvios de recursos de uma grande instituição igrejeira no ES, e ainda, não é atípico, ouvimos falar de casos de pedofilia, abusos com a doação dos fiéis… Tais incidentes envolvem mais de uma instituição religiosa, fazendo-se presente em muitas denominações cristãs e não cristãs. É um mal instalado na sociedade. Diga-se de passagem, uma sociedade de moral ambivalente.

Diante de tantas especulações, me dispus a escrever um breve trabalho sobre o que é religião.

Religião é um sistema de ideários, de fé e de culto, como é o caso da fé cristã. É um conjunto de crenças e práticas organizadas, formando algum sistema privado ou coletivo com suas respectivas representações simbólicas, mediante as quais uma pessoa ou um grupo de pessoas são influenciados.

Dr José Bitencourt Filho afirma que a “RELIGIÃO É UMA ABSTRAÇÃO”.  Pois, muito se fala sobre ela, mas, pouco se define.

O Apóstolo Thiago, afirmou em sua carta que a verdadeira religião é socorrer os órfãos e as viúvas em suas necessidades. E Paulo, de forma semelhante diz que a fé é dom de Deus, é fruto da Graça.

Entretanto, podemos estudá-las ou pelo menos tentar fazê-lo, baseados em 04 pilares, a saber:

1º O sagrado/profano (O sagrado de um é o profano de outro)

Segundo o Dr Rubem Alves, sagrado é tudo aquilo que elejo para adorar, ou venerar, uma pedra pode passar a ser um altar, e ali pode se devotar toda adoração, depositando a esperança. Arcângelo Buzzi afirma que a pedra no caminho de Drumont, pode ser um alicerce para o construtor, a munição da arma da criança em seu estilingue, ou o tropeço dos desavisados. No entanto, em todos os casos, não passa de uma pedra.

Um exemplo de santo e profano de forma paradoxal são as festas católicas realizadas no estado, momento de adoração e crescimento espiritual para os católicos, mas, vista como momentos de idolatria e afronta à fé dos evangélicos. Isto nada mais é do que defesa de pontos de vistas de uma verdade que me seja apropriada, cômoda ou satisfatória.

Para Frank Ursask, o conceito do sagrado ocupa o lugar central da pesquisa fenomenológica – distinguindo-se do profano, o sagrado é o elemento natural-constitutivo da religiosidade humana;

A questão é, vivemos em um Pais laico onde a fé é de livre manuseio, e os cultos podem ser realizados de forma livre e sem a interferência do estado, nem tão pouco violação de crenças opostas, onde em uma relação social absolutamente sincrética, cada “tribo” elege suas representações, suas tipificações de santo e profano.

O fenômeno; (O que surge, o que se apresenta, cada credo tem suas representações fenomenológicas, sejam eventos naturais ou criaturas místicas, e a elas atribuem poderes mágicos, que podem ser bons ou ruins) o iluminado para uns, o ressurreto para outros, a reencarnação para uns, as manifestações sobrenaturais para outros, e ainda para outros, pode-se se crê em tudo de uma só vez. 3º O rito (este formata o culto, ordena de forma litúrgica a rotina a ser seguida em seu dinamismo funcional)

Por fim, o quarto pilar, que em meu entender é a base dos outros três. A CULTURA.

4º A cultura e seus mitos (Cada cultura possui suas metanarrativas e não há cultura sem algum tipo de expressão cúltica) e cada uma, mantém suas representações de sagrado e de profano e essas, podem diferir significativamente, podemos dizer por analogia que temos vário brasis dentro do Brasil, e cada um com suas representações pitorescas e coloquiais e um grande sincretismo religioso

Assim, entendemos que o sentimento de religiosidade transcende os critérios humanos de certo ou errado, bom ou ruim. Por isso, devemos aprender a conviver pacificamente com as crenças de nossos semelhantes, respeitando sem ceder a tentação da demonização do outro. Aprendendo a li dar pacificamente com o diferente. Somos livres e como tal, vislumbramos a possibilidade de manter em nosso escopo o respeito à religião, seja ela qual for, desde que não afronte e nem viole a vida humana.

Que D’us nos ajude a continuarmos em nossa jornada firmados como irmãos, em sintonia, fidelidade, cumplicidade e sobre tudo na fraternidade.

Irisomar Fernandes Silva

Especialista em Ensino Religioso

Mestre em Ciências das Religiões.

Licenciado em História

Bacharel em Teologia

Psicanalista Clínico

27 9224 6450 (Vivo)

irisomar1@yahoo.com.br