TRANSTORNOS PSÍQUICOS – DEPRESSÃO E OUTROS

Uma Reflexão Sobre a Depressão

Escrito por Edson Laino | 

Fazer um relato sobre a depressão sem, contudo, parecer alarmista, parece-me tarefa pouco satisfatória e difícil, pois o próprio estado em que uma pessoa se encontra durante os surtos depressivos, por assim dizer, já demonstram a sua gravidade. A depressão não é, como sugerem alguns, um estado meramente causado por fatores externos. Suas causas têm origem em alterações psíquicas e fatores internos, em que pese alguma fragmentação emocional, sendo os fatores externos tão somente agentes desencadeantes.

Partindo-se do pressuposto do conceito de saúde como o estado de bem estar bio-psico-social e não apenas a ausência de doença, vê-se logo que a depressão altera a bioquímica do organismo, corrói o psiquismo do indivíduo e retira-o de seu convívio social – prova cabal da doença instalada. Nota-se atualmente um aumento considerável de pessoas apresentando quadros depressivos de certa monta. Porém, isso implica em maior critério na avaliação e classificação da patologia.

As síndromes depressivas, por assim dizer, podem ser agrupadas, de acordo com sua sintomatologia, da seguinte forma: depressão endógena, involutiva, reativa, neurótica e sintomática. Entende-se por síndrome depressiva endógena os quadros em que haja pré-disposição ou fatores hereditários eclodindo, de maneira geral, com ou sem problemas de desordem emocional ou social e com tendências a recidivar em qualquer momento da vida. As depressões involutivas acometem mais as pessoas da terceira idade na andropausa e na menopausa, momento da presença da curva descendente da vida. Já as depressões reativas são ocasionadas por perdas afetivas de grande monta, ou de algo significativo. As depressões neuróticas manifestam-se de maneira mais suave, embora de certa gravidade, oriundas de tristeza profunda, fraqueza global e sentimentos de inferioridade. E, por fim, os quadros de depressão sintomática, que aparecem no decurso de alguma doença física – ou psíquica.

Encontramos os Transtornos do Humor, descritos na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10(1) (Classificação Internacional das Doenças), como também largamente descrito no DSM-IV-TRTM(2), os quais se referem a depressão como um conjunto de sintomas observáveis, não contemplando os de ordem interior ao sujeito. Segundo relatam alguns pacientes, a depressão retira das pessoas a sua humanidade, transformando-as em um amontoado de sintomas ruins, indesejáveis e com sentimento de absoluta insignificância, sendo preferível a existência de uma doença física ao estado depressivo. A qualquer custo a pessoa que apresenta um episódio recorrente de depressão quer se ver livre dele o mais rápido possível, mesmo que, para isto, apele para a transmutação da dor psíquica em física.

Ao adoecer-se fisicamente há a comprovação da existência de uma anomalia concreta. Porém, a doença mental causa desespero pela sua abstração, sendo a dor psíquica provavelmente a pior dentre as relatadas. Como descreve Adriano a seu amigo Marco, “Dizer que meus dias estão contados nada significa! Assim foi sempre. E assim sempre será para todos nós. Mas a incerteza do lugar, da ocasião e do modo, incerteza que nos impede de ver distintamente esse fim para o qual avançamos inexoravelmente, diminui para mim à medida que progride minha mortal enfermidade”(3). O fragmento aqui reproduzido demonstra o trato dado às enfermidades físicas, por estarem ali todo o tempo de maneira mais aparente, podendo-se interpretar este trecho como o relato da depressão sintomática. Diferente disso, Lou Andreas-Salomé descreve em seu Hino à Morte(4) a dor da perda, da própria vida, a seu bem amado, onde certamente habitará a dor psíquica, associada a depressão reativa:

“No dia em que eu estiver no meu leito de morte
– Faísca que se apagou -,
Acaricia ainda uma vez mais meus cabelos
Com tua mão bem amada.
Antes que devolvam à terra
o que deve voltar à terra,
Pousa sobre minha boca que amaste
Ainda um beijo.
Mas não esqueças: no esquife estrangeiro
eu só repouso em aparência,
porque em ti minha vida se refugiou
E agora sou toda tua.”

Talvez seja esta a angústia profunda que assombra o deprimido, demonstrando claramente a necessidade de ser amado, reconhecidamente, mesmo após a sua morte, real e simbólica, pois, em vida, vislumbra muito pouco do que significam seus afetos. A depressão é, de certa forma, a incapacidade de amar a si mesmo e ao outro, como se nada mais pudesse haver após a sua chegada, nem existir antes dela. A depressão leva embora tudo o quanto uma pessoa mais necessita preservar em si mesma: a autoestima, o amor próprio, o que mais admira em sua vida, a alma enquanto essência e a psique, em última análise.

Com os avanços da ciência, o paciente de depressão tem hoje a seu alcance uma gama muito grande de medicamentos que o coloca em sintonia com a realidade, devolvendo-lhe a sanidade e o discernimento. A escolha é importante ao depressivo, pois o simples fato de poder voltar a escolher entre duas coisas já o torna mais próximo de sua normalidade. Juntamente com a depressão, a sensação de depender do outro torna-se evidente, pois tarefas simples se agigantam impedindo sua realização. Isto provoca momentânea incapacidade de decidir até mesmo o uso de uma roupa em vez de outra. A sensação de impotência, aliada a de dependência, torna as pessoas mais desgastadas emocionalmente, empurrando ainda mais sua autoestima para baixo. A sensação descrita por algumas pessoas é a de queda livre de um penhasco, em que a morte é simbolizada pela perda de controle sobre si mesmo, fragmentando e aniquilando o eu interior.

Existe atualmente uma multiplicidade de tratamentos oferecidos aos portadores de depressão, denotando-se a visão holística ao se olhar para o paciente. Esses tratamentos vão desde as terapias químicas e psicoterapias até as alternativas pouco ortodoxas e de eficácia questionável do ponto de vista mormente científico. Apesar disso, o paciente que vê sua vida enlutada, como se todas as horas fossem noites de trevas, busca uma luz no fim do túnel que possa devolver-lhe a sanidade perdida, não obstante, a mera diminuição dos sintomas apresentados já lhe seria de grande valia. Factualmente, é necessário levar-se em consideração que todas as alternativas são válidas, muito mais o conjunto delas, pois o paciente necessita urgentemente recuperar a si mesmo dentro de seus próprios padrões de normalidade; numa visão holística em que os fatores biológicos, psicológicos, sociais e espirituais sejam preponderantes dentro do tratamento oferecido. As alternativas terapêuticas são necessárias, bem como a inserção da terapia química, visando à melhoria da química cerebral. Por meio de neurotransmissores desses fármacos, ocorrerá o reequilíbrio do aparelho psíquico, tornando a aceitação dos tratamentos mais consistente, com melhoria da qualidade de vida. Assim como a intervenção medicamentosa é importante, a bem do funcionamento neurológico, o acompanhamento em psicoterapia se faz necessário, pois contribui na formação de um novo modelo de convivência ao paciente. Esse acompanhamento fornecerá ao sujeito mecanismos de autoproteção desejáveis dos quais ele necessitará para as recidivas certeiras, contribuindo, inclusive, para evitar prováveis tentativas de suicídio.

“Eu tenciono te levar comigo; guiar-te-ei na região do eterno sofrimento. Ali, ouvindo gritos lancinantes, verás almas antigas, na amargura suplicar segunda morte em altos brados.”(5), relata Dante. Há que se levar em consideração, sempre, a iminência do suicídio – segunda morte, tomando-se como primeira a psíquica – pois a falência psíquica poderá levar a tal ato. Neste quesito é bom evidenciar a necessidade da terapia química em qualquer nível de depressão, pois há certo decréscimo na ocorrência em pacientes com acompanhamento medicamentoso e psicológico e devido ao alívio de sintomas importantes.

Dentro do leque de alternativas para o tratamento, é importante a descoberta das crenças do paciente deprimido, observando as alterações significativas de humor quando são levadas em consideração. É, para nós profissionais da área, relevante perceber o quanto as crenças do paciente em tratamento favorecem a dispersão de sua atenção no tocante à continuidade dos cuidados. Isso deve ser levado em conta pelo fato de que algumas religiões preconizam o abandono do tratamento, pois atribuem a tal disfunção fatores externos ao indivíduo. Em tais casos, a observação e a pontuação destas atitudes torna premente a ocorrência de recidivas cada vez mais densas e difíceis de serem recuperadas. A recuperação de um paciente depende, quase que integralmente, do menor tempo que estiver imerso na intensidade de emoções e sentimentos de sofrimento.

Existe um sem número de alternativas no tratamento da depressão que vão desde os tratamentos mais ortodoxos aos mais esdrúxulos. É importante perceber que se está diante de uma doença muito mais complexa do que algumas pessoas menos avisadas pensam. Em se tratando de uma doença cíclica, pode-se creditar alguma melhora eventual na condição geral do paciente a qualquer intervenção, mas é necessário critério na escolha do tratamento. A associação medicina e terapia, por meio da terapia química e das chamadas terapias da fala e psicoterapias, respectivamente, ainda são as alternativas mais eficazes, podendo a elas serem acrescidos outros tratamentos complementares, mas não ao contrário. No tratamento da depressão, assim como em outras patologias, é necessário deixar o curandeirismo de lado e procurar profissionais habilitados e capacitados, pois eles poderão diagnosticar com precisão, adotando as melhores condutas e formas de intervenção.

Fonte: Uma Reflexão Sobre a Depressão – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/uma-reflexao-sobre-a-depressao#ixzz1ouMCWFuL

Novos Aspectos Fisiopatológicos Envolvidos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Escrito por Marcus Deminco | Publicado em Sexta, 24 Fevereiro 2012 15:00

Resumo: objetivo consultar em periódicos científicos eletrônicos os conceitos etiológicos mais utilizados para definir a fisiopatologia do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), a fim de, posteriormente, descrever os mecanismos responsáveis por sua classificação entre os estados patológicos associados à hiperativação do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA). métodos: revisão não sistemática em fontes de dados secundários. conclusões: embora o TOC ainda seja considerado um transtorno idiopático e de características heterogêneos, a hipótese na qual sugere um funcionamento anômalo no circuito cortico-estriato-tálamo-cortical, possivelmente, em virtude da falta de intervenção inibitória do Núcleo Caudado desencadeie excesso da atividade talâmica, retroalimentando os pensamentos invasivos e/ou os comportamentos repetitivos originários do Córtex Órbito-Frontal, gerando níveis patológicos de ansiedade que, através da Amígdala, elevam a atividade do Eixo HHA.
Palavras-Chave: Transtorno Obsessivo-Compulsivo, fisiopatológica, Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal, núcleo caudado, tálamo, córtex órbito-frontal.

Introdução

Atualmente, estima-se que, somente no Brasil, mais de 4,5 milhões de pessoas possuam algum tipo de transtorno psicológico. Dos transtornos emocionais, os transtornos de ansiedade são os problemas psiquiátricos mais frequentes em serviços de atendimento primário, e os mais comuns na população em geral. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, ao menos um quarto da população mundial sofre de algum dos subtipos inseridos nos transtornos de ansiedade. Do ponto de vista da saúde pública, a prevalência dos transtornos mentais é similar à dos distúrbios cardiovasculares, incluindo hipertensão (FREADMAN, 1983 apud BERNIK, 2003).

Segundo a 4ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV), o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade crônico, caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões, que consomem ao menos uma hora por dia, e causam sofrimento ao paciente e/ou aos seus familiares. O Código Internacional de Doenças, entretanto, em sua 10ª edição (CID-10), embora apresente os mesmos critérios diagnósticos, exige que as obsessões e/ou compulsões estejam presentes na maioria dos dias por um período de no mínimo duas semanas. Tanto no DSM-IV quanto no CID-10 não existem diferenças nos critérios para o diagnóstico de crianças, adolescentes e adultos.

Obsessões são pensamentos, ideias, impulsos e imagens mentais recorrentes, intrusivos e vivenciados como desagradáveis e como próprios do individuo, ocasionando ansiedade ou mal estar, um estado de angústia patológica, que consomem muito tempo e interferem negativamente nos relacionamentos e atividades do portador. Compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos, realizados para diminuir a angústia causada pelas obsessões, obedecendo a regras rígidas, forçando o individuo a agir contra sua vontade e podem ter a finalidade a evitação de uma situação temida. (APA, 1994 apud LAMBERT, 2006).

Jenike, Baer e Minichiello (1986 apud BARLOW e DURAND, 2008) observaram que as obsessões mais comuns em uma amostra de cem pacientes foram a contaminação (55%), os impulsos agressivos (50%), o teor sexual (32%), as preocupações somáticas (35%) e a necessidade por simetria (37%). Sessenta por cento dos que participaram da amostra apresentaram obsessões múltiplas. Leckman et al. (1977 apud ibidem) analisaram os tipos de compulsões em grupos grandes de pacientes e descobriram que verificar, ordenar e arrumar, além de lavar e limpar eram as principais categorias dos rituais.

FIGURA 1: Modelo Funcional do TOC

FIGURA 2: Modelo Cognitivo do TOC 4

Prevalência, Co-morbidades e Características Específicas à Idade e ao Gênero

Há cerca de uns 15 anos, o TOC havia sido considerado como um transtorno de prevalência bastante rara, em virtude dos estudos da década de 1950 que apontavam para uma prevalência de cinco pacientes para cada 10.000 pessoas (ou 0,05%) (DEL-PORTO, 2011). Atualmente, no entanto, o TOC já ocupa o quarto lugar dentre os transtorno psiquiátrico mais comum, ficando atrás apenas das fobias, do abuso de substância e da depressão maior (JENIKE, RAUCH, CUMMINGS, SAVAGE e GOODMAN, 1996 apud Ibidem).

Estima-se que nos dias de hoje, o Transtorno afete entre 2 a 3% da população geral. A idade média de seu início ocorre no final da adolescência ou por volta dos 20 anos. Os homens geralmente desenvolvem a doença aos 17,5 anos de idade, enquanto a idade média de início para as mulheres mostra-se um pouco superior – 19,8 anos (RASMUSSEN e EISEN, 1990 apud LAMBERT, 2006).

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano 2020 o Transtorno Obsessivo-Compulsivo estará entre as dez maiores causas de comprometimento por doença. Assim sendo, o TOC representa desde então, um transtorno de extrema importância para a saúde pública. Além de bastante frequente, o Transtorno apresenta também altas taxas de comorbidades com outros transtornos psiquiátricos. Em uma pesquisa, avaliando 8.580 indivíduos, Torres e colaboradores encontraram 114 portadores de Transtorno obsessivo-compulsivo, e destes, 62% tinham alguma comorbidade. Essas taxas chegam a 89%. (DINIZ et al., 2004).

O TOC pode estar associado com Transtorno Depressivo Maior, outros Transtornos de Ansiedade (Fobia Específica, Fobia Social, Transtorno de Pânico), Transtornos Alimentares e Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva. Existe uma alta incidência de Transtorno Obsessivo-Compulsivo em indivíduos com Transtorno de Tourette, com estimativas variando de 33 a 50 %. A incidência de Transtorno de Tourette no Transtorno Obsessivo-Compulsivo é menor, com estimativas variando entre 5 e 7%. Vinte a 30% dos indivíduos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo relatam tiques atuais ou passados.

Fonte: Novos Aspectos Fisiopatológicos Envolvidos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/novos-aspectos-fisiopatologicos-envolvidos-no-transtorno-obsessivo-compulsivo#ixzz1ouNN1yin

Quebra de um Paradigma Social: Psicopatia Feminina

Escrito por Rafael Mendes Barbosa Ferreira e Fernanda Bernardino de Souza Silveira | Publicado em Sábado, 11 Fevereiro 2012 16:49

Resumo: o presente artigo tem a proposta de discutir sobre a psicopatia, um tipo de personalidade presente na sociedade, mas pouco comentada e esclarecida. Tendo como foco principal a Psicopatia Feminina, o objetivo deste trabalho é quebrar os paradigmas sociais e expor uma realidade pouco observada. A psicopatia não deve ser vista apenas como algo ligado a imagem masculina. Através de uma metodologia qualitativa, e tendo com base alguns referenciais teóricos foi possível desenvolver uma análise sobre o filme Atração Fatal, no qual, a personagem principal (Alex Forrest) pode ser considerada uma psicopata.
palavras-chave: Psicopatia, Psicopatia Feminina, Paradigmas, Masculina.

Introdução

Este artigo tem como objetivo trazer ao leitor um maior esclarecimento sobre as questões de psicopatia voltada para o gênero feminino, que na maioria das vezes é visto na sociedade como um ser frágil e delicado, em que uma atitude de agressividade por parte destas seria classificada como atitude não feminina, estaria ligada a outros motivos.

Tomaremos como exemplo o filme atração fatal, no qual, através de uma análise da obra, destacaremos alguns pontos característicos de psicopatia.

Este artigo foi produzido a partir de uma pesquisa qualitativa, no qual foi tomado como referenciais teóricos alguns autores que falam sobre questões de psicopatia, gênero, e violência feminina: Ana Beatriz Barbosa Silva, Robert Stoller, Kátia Ovídia e José de Souza.

Sendo assim, devemos olhar a psicopatia não como algo que atinge apenas os homens, mas que existe também um lado feminino apagado e encoberto pela moral social.

Conceito de Psicopatia

A psicopatia é um tipo de personalidade nociva, desprovida de sentimento e voltada totalmente para a razão. Está geralmente incluída no que chamamos de ‘Transtorno de Personalidade Anti-Social’.

A psicopatia está relacionada a disfunções cerebrais, sendo que o psicopata nasce psicopata e permanece assim, sem que haja possibilidade de cura.

O psicopata não se redime às regras sociais. É uma pessoa aparentemente sedutora e inteligente, embora seja internamente fria, aleivosa, manipuladora e egocêntrica. Está em busca de poder, status e prazer, através da maldade, tendo consciência absoluta do que está fazendo, sem sentimento algum. Silva (2008) em seu livro Mentes perigosas – O psicopata mora ao lado, fala sobre a questão da consciência genuína, que é a capacidade que temos de nos colocarmos no lugar do outro, de nos fazermos pedir desculpas quando erramos, de sentirmos felicidade com a alegria de outras pessoas, de nos entristecermos com tragédias, de protestarmos contra injustiças etc. Os psicopatas são desprovidos dessa consciência, não possuem a capacidade de empatia (se colocar no lugar do outro).

Possuem intolerância às frustrações, o que os fazem pessoas rancorosas, vingativas e incapazes de aceitar obstáculos comuns do cotidiano.

A psicopatia pode ser classificada em níveis: leve, moderado e grave. Cerca de 4% da população sofre algum tipo de psicopatia, destes, apenas 1% grave.

A psicopatia é mais evidente nos indivíduos do sexo masculino, sendo uma estimativa de três homens pra uma mulher, mas, evidentemente, a psicopatia também atinge as mulheres em vários níveis, embora com características diferentes e menos específicas quando comparadas às que atingem os homens.

Nos homens, o transtorno fica manifesto antes mesmo dos 15 anos de idade, contudo, nas mulheres pode passar despercebido um longo tempo, principalmente porque as mulheres psicopatas são visivelmente mais discretas e menos precipitadas que os homens.

Filme Atração Fatal

Percebemos claramente a imagem de uma psicopata feminina no filme Atração Fatal.

O filme, lançado em 1987, conta a história de Dan Gallagher, um advogado bem-sucedido e feliz no casamento com Beth Gallagher. Alex Forrest é uma executiva solteira. Dan Gallagher conhece Alex Forrest em uma festa de trabalho e já neste encontro surge um desejo por parte dela em ficar com Dan Gallagher. O outro encontro dos dois acontece em uma reunião e no mesmo dia, Dan Gallagher dorme com Alex, enquanto sua esposa está visitando os pais.

Desde o inicio da relação, Dan Gallagher deixa bem claro que é casado, mas mesmo assim, Alex insiste em manter a relação. Ela demonstra seu primeiro sinal de obsessão quando Dan resolve ir embora após ter relação sexual e ela, de forma descontrolada, puxa Dan pela blusa até rasgá-la. Após esse episódio, Dan resolve romper com ela, mas ela fica ainda mais nervosa e acaba dando um chute nele, no entanto, numa tentativa de tentar mantê-lo ali, ela vai para cozinha, corta os dois pulsos e começa a chorar nos braços de Dan. Ele cuida dela e resolve não ir embora. Na manhã seguinte, Dan se despede de Alex e rompe com ela, desta vez ela não tem nenhuma atitude descontrolada, e se despede calmamente.

Dan volta para sua casa, Beth logo chega de viajem e estes ficam muito bem. Dan, numa tentativa de agradar a esposa, resolve ir comprar uma casa que sua esposa deseja. Logo depois vai para o trabalho, onde tem uma surpresa: Alex está esperando por ele.  Desta vez, ela se mostra uma pessoa cordial e calma, convidando-o para sair e este se recusa. Alex se mantém calma e mais uma vez dá adeus a Dan, porém, ela volta a procurá-lo ligando em seu escritório e novamente ele deixa bem claro que não quer mais nenhum envolvimento.

Ela continua a ligar para ele e em uma das ligações, a esposa de Dan atende, porém, Alex não fala nada. Por fim, Alex liga em uma madrugada e impõe que eles se encontrem pela manhã. Ao se encontrarem, Alex diz que o ama e que está grávida. Dan propõe que ela faça um aborto, porém, ela se recusa a fazer.

Neste ponto, Dan encontra-se entre a paz e o terror. Em uma tentativa de descobrir quem realmente era Alex, Dan invade o apartamento dela em busca de algo, porém nada encontra.

Dan começa a ficar angustiado e com medo de perder sua família. Após um dia de trabalho, ao chegar a sua casa, Dan fica surpreso ao ver Alex negociando o apartamento com Beth. Beth o apresenta a Alex e, ironicamente, Alex diz que seu rosto não lhe é estranho e que se lembra dele da festa a qual conversaram pela primeira vez. Dan se faz de desentendido e logo depois ela vai embora. Dan resolve ir até a casa de Alex e ao chegar lá, ela finge que está tudo bem, oferecendo-o bebida. De forma grosseira, ele diz que ela deve parar com tudo isso, ela responde dizendo que não irá parar, que não quer ser rejeitada e que ele deve assumir o filho. Mesmo assim, ele vai embora e ela o ameaça de contar tudo para a esposa dele. Dan diz que irá matá-la caso conte algo.

Dan passa a temer sempre quando o telefone toca em casa. Alex passa a persegui-lo, chegando a jogar ácido no carro de Dan prejudicando toda a parte elétrica. Outra vez, Alex o segue até em casa e lá fica observando pela janela a relação de Dan com sua família. Alex chega a ter náuseas e vomita.

Alex grava uma fita para Dan, dizendo que não adianta ele querer fugir, pois uma parte dele já está dentro dela e mais uma vez fala sobre ele assumi-la, ao mesmo tempo, ela diz que o odeia e que ele é um canalha.

Dan procura ajuda da policia, porém, não consegue nenhuma solução.

Alex invade a casa de Dan, mata o coelho de sua filha Ellen e o coloca numa panela com água fervendo, o que deixa Beth e a filha de Dan chocados. A única saída que Dan encontra é contar Beth que sabe quem fez isso. Ele conta que teve um caso com Alex e que ela está grávida. Beth fica completamente surpresa e descontrolada e pede que ele saia de casa. Dan liga para Alex, dizendo que sua esposa já sabe de tudo e Beth confirma, porém, isso não faz com que ela o queira de volta em casa.

Alex chega ao ponto de ir até a escola de Ellen, pegá-la e levá-la a um parque de diversão. Beth entra em desespero quando vai buscar a filha e percebe que ela já foi embora com outra pessoa, isto faz com que ela bata o carro. No fim do dia Alex deixa Ellen na casa deles. Sendo assim, Dan vai até a casa de Alex e lá eles começam uma briga física. Ele a enforca na intenção de matá-la, mas ele perde a coragem e solta Alex. Ela pega uma faca e tenta matá-lo, porém, não consegue. Ele vai até a polícia, mas a polícia não consegue encontrá-la.

Por fim, Alex invade a casa de Dan e tenta matar Beth com uma faca. Ele escuta a briga entre elas e vai até o local; Alex também tenta matar Dan, porém, ele a deixa desmaiada na banheira, pensando que ela está morta, mas, quando ele menos espera, ela se levanta, mas Beth pega a arma e mata Alex com um tiro no peito.

Apesar do trauma, o casal volta a viver suas vidas como antes.

Sinais de psicopatia em Alex

A personagem Alex Forrest, no primeiro momento do filme, não nos passa nenhuma imagem de uma psicopata. A melhor cena para comprovar isto é a da festa onde Alex e todas as pessoas do local estão vestidas com cores escuras. Uma única mulher aparece de vermelho e imediatamente associamos a figura ao “fatal” do título, mas ela se revela em um figurino exatamente igual ao dos outros convidados, uma pessoa como qualquer outra ali. É ai onde está o fato em questão, pois os psicopatas são pessoas aparentemente sedutoras e inteligentes, e isto o diretor do filme deixa bem visível na imagem de Alex. O jogo entre preto e branco das cenas, acaba construindo a personalidade da vilã Alex que, por muitas vezes, é a única que usa a cor branca em cena e está sempre exposta. Outro ponto que vale a pena ressaltar, é que Alex não só possui características físicas e comportamentais de um psicopata, mas vemos no decorrer do filme que ela possui um caráter psicopata também.

Um ponto que vale a pena ser ressaltado é a atitude que Alex toma assim que percebe que está perdendo seu objeto de desejo, cortando os pulsos com o objetivo de conseguir manter Dan Gallagher junto dela.

Como vimos outrora, é característico dos psicopatas serem internamente frios, manipuladores e egocêntricos. Percebe-se que, para conseguir aquilo que queria, Alex foi capaz de tomar atitudes que vão muito além de um comportamento normal. Como por exemplo, quando ela invade a casa de Dan Gallagher pega o coelho da pequena Ellen, mata-o e deixa-o dentro de uma panela com água fervendo. Essa atitude deixa claro que Alex, naquele momento, só queria voltar a atenção de Dan para ela.

Por fim, quando percebeu que não conseguiria ficar com Dan, Alex tenta tirar do seu caminho aquilo que estava lhe impedindo, atitude de se esperar de uma psicopata, vai até a casa dos Gallagher e no banheiro da casa tenta matar a esposa de Dan, porém fracassa em sua tentativa.

Sendo assim, não nos resta dúvidas que, ao criar esta personagem, o diretor Adrian Lyne e os autores Michael Douglas, Glenn Close, Anne Archer e Ellen Hamilton Latzen, buscaram retratar nos anos 80 a imagem de uma psicopata feminina que até então era encoberta pela mídia.

Quebra da Imagem Masculinizada da Psicopatia

Qual a primeira imagem que nos vem à cabeça quando pensamos em um psicopata?

Sem sombra de dúvidas, a psicopatia assume uma imagem masculinizada dentro de nossa sociedade, no entanto, devemos nos atentar que, apesar da pouca incidência de casos, a psicopatia feminina existe e não deve ser deixada de lado ou simplesmente reconfigurada dentro de um contexto social.

Há grupos de pesquisas compostos por psicólogos e psiquiatras que tem se dedicado ao estudo da psicopatia no sexo feminino. As conclusões atuais mostram que a psicopatia grave é encontrada com pouca freqüência nas mulheres.

As mulheres psicopatas possuem uma necessidade de demonstrar poder e controle sobre as pessoas. São sedutoras, vaidosas e sádicas. Possuem, assim como os homens psicopatas, uma facilidade em mentir de forma realista e não medem as conseqüências para atingirem seus objetivos.

A ausência dos estudos sobre violência feminina seria pelos seguintes motivos: a baixa incidência de crimes de autoras femininas, o encobrimento da violência feminina, baixa notificação de crimes femininos, o preconceito das pessoas que atribuem pouco ou até nenhum valor às manifestações da violência feminina e a falta de pressão da opinião pública sobre o assunto.

Alguns dados valem ser ressaltados sobre o numero de prisioneiras no Brasil em alguns anos: no ano 2001, tínhamos 5.465 Prisioneiras, três anos mais tarde, em 2004, esse número subiu para 16.473 e no ano de 2005 houve uma queda para 12.925 prisioneiras, sendo que só havia 7.836 vagas. Temos ai um déficit de 5.089 vagas. A partir desses dados não podemos deixar de levar em conta o caráter criminoso que uma mulher pode assumir, muito menos rotular a imagem de um psicopata a um homem.

Essa visão da mulher como ‘quem deve cuidar do lar’ é tão real que dentro das penitenciárias a forma de lidar com presos homens é diferente da que se lida com as mulheres; O trabalho com os presos é feito na intenção de recuperação voltada para serem “cidadãos” reintegrados na comunidade. No caso das mulheres, é resgatar a mulher do lar, recuperação da figura doméstica, restaurar a mulher para ocupar o espaço caseiro, privado.

Conforme afirma Souza (2009):

Tanto homens quanto mulheres podem ser vítimas e agressores, por isso é preciso, ao tratar o sujeito e a violência, evitar generalizações de espécie, colocando os homens como autores e as mulheres como vítimas da violência

Conclusão

Podemos concluir que a psicopatia feminina não se difere muito da psicopatia em si, e é algo que não existe apenas nos cinemas, mas, que também está presente em nossa realidade social. Devemos quebrar esse paradigma social sobre a visão da psicopatia.

Vimos no estudo de caso feito sobre o filme Atração Fatal, pontos característicos da psicopatia feminina.

“A atenção deve recair na desnaturalização da mulher como apenas vítima da violência, como coloca Gomes (2003), embasado nos estudos de Bourdieu, ao problematizar a posição de agressor e vítima na perspectiva de gênero, incluindo a situação do sujeito, seja ele homem ou mulher, inserido no discurso da violência.” SOUZA (2009).

Fonte: Quebra de um Paradigma Social Psicopatia Feminina – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/quebra-de-um-paradigma-social-psicopatia-feminina#ixzz1ouO7GLRB

O Transtorno de Ansiedade Generalizada

Escrito por Vinicius Sampaio D´ottaviano | Publicado em Sexta, 10 Fevereiro 2012 16:34

Resumo: A ansiedade é um dos principais males que o ser humano carrega atualmente. Ela vem de um sentimento de desespero e pressa em querer realizar o que se deseja e alcançar o que sonhamos, construindo assim a nossa felicidade. Ocorre que a ansiedade é, exatamente, o principal obstáculo para se alcançar sucesso em cada uma destas metas. Uma das maiores fontes de ansiedade é aquela motivada pelos relacionamentos afetivos. Algumas pessoas sofrem de ansiedade por desejar encontrar o par ideal, a chamada alma gêmea com que todos sonham e acabam, exatamente por causa dessa atitude ansiosa, por afastar ao invés de atrair seja quem for.
Palavras-Chave: ansiedade, ser humano, desejo, sonho, felicidade, meta, relacionamento, afeto.

Os Modelos Comportamentais da Ansiedade

As manifestações objetivas da ansiedade são inespecíficas, e comumente estão associadas a diversos estados emocionais, tais como medo, expectativa, ira, entre outros. Essas manifestações são as reações físicas sentidas pelas pessoas, dentre as quais se podem citar: sudorese, taquicardia, tremores, calafrios etc.

A ansiedade pode ser considerada normal ou patológica. Sendo assim, como diferenciar um estado normal de um patológico? Esta avaliação deve levar em consideração quatro aspectos: Intensidade; Duração; Interferência; e Freqüência com a qual ocorrem os sintomas. Caso sejam considerados desproporcionais, pode-se considerar a ansiedade patológica. Contudo, esta é uma decisão arbitrária e subjetiva de quem avalia. (GENTIL, 1997)

Desta forma, Gentil (1997) afirma que “somente podemos saber se alguém está ansioso por dedução, ou questionando e comparando sua resposta com nossa própria experiência e conceito de ansiedade”.

De acordo com o DSM IV (1994), os transtornos de ansiedade classificados são:

• Transtornos de pânico com agorafobia.

• Transtornos de pânico sem agorafobia.

• Transtorno obsessivo-compulsivo.

• Transtorno de estresse pós-compulsivo.

• Transtorno de estresse pós-traumático.

• Transtorno de ansiedade generalizada.

• Transtorno de ansiedade devido a uma condição médica geral.

• Transtorno de ansiedade induzida por substância.

• Transtorno de ansiedade não especificado.

• Agorafobia sem história de transtorno de pânico.

• Fobia específica.

• Fobia social.

Tanto a ansiedade quanto o medo possuem suas raízes nas reações de defesas. Neste sentido, quando uma pessoa se defronta com uma situação de perigo, que ameaça seu bem-estar ou sua sobrevivência, o organismo se prepara para enfrentar ou fugir. Quando esta ameaça é apenas potencial, ou seja, quando o indivíduo identifica a situação como a possibilidade de receber uma punição, entende-se esta resposta como ansiedade. Contudo quando o perigo é real, e a reação é desencadeada por estímulos bem definidos, tem-se o medo. (GRAEFF & BRANDÃO, 1999)

Até aqui foi feita uma diferenciação entre a ansiedade normal e patológica, e entre ansiedade e medo, mas como o modelo comportamental entende a ansiedade? Para entender a ansiedade no modelo comportamental, é necessário antes discutirmos alguns aspectos centrais dentro da análise do comportamento.

Um dos pontos mais importantes no modelo comportamental é a análise funcional. Skinner (1974) afirma que “as variáveis externas das quais o comportamento é uma função, dão margem ao que pode ser chamado de análise causal ou funcional. Tentamos prever e controlar o comportamento de um organismo individual”. Portanto, a análise funcional é a possibilidade de se descrever quais as variáveis que estão controlando o comportamento. Neste mesmo livro, Skinner comenta “uma formulação adequada da interação entre um organismo e seu ambiente deve sempre especificar três coisas: a ocasião em que a resposta ocorre; a própria resposta; e as conseqüências reforçadoras”. Isto significa fazer a análise da tríplice contingência, que tem como pressuposto básico a fórmula: S – R – C.

A importância da análise funcional se caracteriza pela possibilidade de o analista do comportamento conseguir identificar quais os estímulos que determinam a emissão de um determinado comportamento, assim como quais as conseqüências que mantêm este comportamento.

Neste sentido, Meyer (1997), afirma que a análise funcional é o instrumento básico de trabalho do analista de comportamento, pois possibilita identificar as contingências que estão operando um comportamento, assim como inferir quais as que operaram no passado. Estando com essas informações, pode-se propor ou criar novas relações de contingências que alterem os padrões de comportamento dos indivíduos. “Mudanças de comportamento só se dão quando ocorrem mudanças nas contingências”. (Meyer, 1997)

O comportamento das pessoas pode ser controlado pelas contingências ou por regras. Os comportamentos controlados pelas contingências são aqueles que estão associados ao ambiente, enquanto que os que são controlados pelas regras estão associados a regras que agem como “instrução” para o comportamento, por exemplo, “é proibido passar no farol vermelho”.

De acordo com Guedes (1997), o comportamento de seguir regras é instalado pela comunidade verbal, pois depende da cultura e dos valores sociais. Contudo, se os comportamentos governados por regras só ocorrem na presença destas, pode-se concluir que as regras não ensinam para a vida, ou seja, se as conseqüências naturais para tais comportamentos não aparecerem, eles deixarão de ser emitidos. Neste sentido pode-se dizer que os comportamentos governados pelas regras também dependem das contingências. Outro aspecto importante é o papel das emoções no modelo comportamental. As emoções são vistas como comportamentos encobertos, pois ocorrem sob a pele e o único que tem realmente acesso ao que acontece consigo, é o próprio sujeito (DELITTI E MEYER, 1995). Para Skinner (1974), os sentimentos e outros estados subjetivos não são causas de comportamentos observáveis, mas sim comportamentos e, portanto, devem ser analisados como tal.

Neste sentido, as emoções são vistas como conseqüências/respostas de uma situação anterior. Portanto, a ansiedade, vista como resposta emocional, deve ser entendida dentro de uma análise funcional, identificando quais as contingências que a mantém no repertório comportamental do indivíduo.

Conhecendo-se a função do comportamento ansioso no dia-a-dia do cliente, é possível alterar as contingências que operaram o comportamento ansioso e com isto promover mudança de comportamento.

Ansiedade Normal X Ansiedade Anormal

A ansiedade tem dois componentes: psicológicos e somáticos. O comportamento psicológico varia de individuo para individuo, e é fortemente influenciado pela personalidade e pelos mecanismos de enfrentamento. As manifestações somáticas podem ser mais sucintamente descritas pelo paciente e podem variar em estados de gravidade (comprometimentos físicos e psicológicos).

Outros fatores a serem considerados antes de fazer um diagnóstico são: idade, sexo, situação sócio-econômica, precipitadores culturais e modo de apresentação do paciente. Qualquer transtorno físico, por exemplo, o hipertireoidismo, que possa produzir sintomas similares deve ser descartado antes de se poder fazer um diagnóstico de um estado de ansiedade funcional.

As forças motivadoras são chamadas de impulsos. Os impulsos primários são os instintos biológicos; por exemplo: fome, sede, desejo sexual, evitamento da dor, etc. Os impulsos secundários são adquiridos através do aprendizado, e sua evolução é modulada por um sistema de recompensa e punição, um processo chamado reforço. A ansiedade é conceitualizada como um poderoso impulso secundário.

A ansiedade como um processo aprendido poderá desenvolver-se em torno de automóveis após um acidente automobilístico, por exemplo; além disso, uma vez iniciada por um determinado estimulo, a reação ansiosa poderia ser estendida para outros estímulos, através de dois mecanismos denominados: generalização e formação de pistas.

Através do mecanismo de generalização, o sujeito em questão poderia tornar-se ansioso acerca de todos os tipos de transporte, por causa de sua similaridade com o estímulo prejudicial original. Através do segundo mecanismo, de formação de pista, os objetos associados com o acidente, por exemplo: semáforos, carros de policia e ambulância; poderiam posteriormente induzir à ansiedade.

A generalização do estímulo e as formações de pistas são mecanismos adaptativos normais, que são subjacentes ao processo de aprendizado a partir da experiência, e são lapidados, rotineiramente, pela nossa capacidade para discriminar entre os estímulos. A ansiedade intensa prejudica a capacidade para discriminar e leva as generalizações e formatações de pistas excessivas e mal adaptadas.

Um outro aspecto crítico na definição do transtorno de ansiedade generalizada é a falta de uma correspondência entre um estimulo conhecido e o afeto de ansiedade. Entretanto, vários outros estudiosos sugeriram que múltiplas pistas em combinações variadas e complexas, por ex: luzes, ruídos, e mesmo a passagem do tempo, podem reforçar a ansiedade, portanto, tornar muito difícil a extinção da resposta comportamental.

A ansiedade é uma experiência comum a qualquer ser humano. Quem já não se sentiu apreensivo, com dor de cabeça, palpitação, respiração rápida, aperto no peito, desconforto abdominal ou inquietação? Em muitos casos a ansiedade é uma resposta adaptativa e positiva para diversos acontecimentos da nossa vida.

A ansiedade ocorre quando o individuo é confrontado com uma situação especifica, como exemplos: a) desempenho em público, b) o bebê se sente ameaçado com o afastamento dos pais. A ansiedade é um acompanhante normal do crescimento das mudanças, de experiências novas e inéditas, do encontro da própria identidade e do sentido da vida de uma pessoa.

Quando a Ansiedade Passa a Ser Anormal

Há três fatores a considerar ao fazer uma distinção entre ansiedade normal e ansiedade generalizada:

1 – Nível de ansiedade. Em muitas situações, é normal ter um nível de ansiedade, mas se a ansiedade ultrapassa os níveis normais, ela pode ser considerada anormal.

2 – A justificativa para a ansiedade. Ansiedade de qualquer nível seria considerada anormal se não houvesse uma justificativa realista para a ansiedade na situação. Pessoas com ansiedade generalizada interpretam uma situação como ameaçadora, tornando-se ansiosas, mas isto não justifica a ansiedade.

3 – A ansiedade é anormal se ela leva à conseqüências negativas. Por exemplo, ansiedade que conduz a mau desempenho no trabalho, retração social ou hipertensão (pressão sanguínea elevada), seria considerada anormal.

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) tem como característica essencial uma ansiedade ou preocupação exagerada que pode abranger diversos eventos ou atividades de vida da pessoa por um período de pelo menos seis meses ou mais com sintomas somáticos.

Curso e Prognóstico

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é crônico e flutuante com períodos de agravamento e remissão dos sintomas. Há na literatura alguns casos de pacientes com idade média de 40 anos que relatam história de quase 20 anos de sintomas ansiosos graves, e isso geralmente leva o paciente a sofrer com esse estado de ansiedade elevado durante anos. Sem o tratamento os sintomas não remitem. (Barlow, 1999)

O diagnóstico precoce, o tratamento psicoterápico e farmacológico por dois anos e ausência de co-morbidades são fatores de bom prognóstico, mas a longa duração, presença de quadros co-mórbidos, incluindo transtornos de personalidade e a dificuldade de seguir o tratamento, pioram o prognóstico. Abuso de drogas, quadros depressivos com risco de suicídio, dificuldades sociais e econômicas são complicações comuns no TAG.

Epidemiologia

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo, a taxa de prevalência do TAG anual ocorre de 3 a 8%, ele é quatro vezes mais freqüente que o Transtorno de Pânico. O transtorno é diagnosticado mais em mulheres do que em homens, numa proporção de 2 para 1. Em um estudo 80% dos pacientes com TAG, tiveram ao menos um outro transtorno de ansiedade durante a vida, e 7% tiveram depressão maior.

Determinar a idade de inicio dos sintomas é difícil, porque a maioria não sabe quando isso ocorreu. Muitos relatam que sempre foram assim, relatam que talvez seu início ocorreu quando adolescentes ou adultos.

Nas clínicas americanas que trabalham com Transtorno de Ansiedade, 12% dos indivíduos é de (TAG), os pacientes chegam à atenção dos médicos por volta dos 20 anos, apenas 1/3 dos pacientes com (TAG) busca o tratamento psiquiátrico. Muitos procuram clínicos gerais, cardiologistas, pneumologistas em busca de um tratamento somático do transtorno.

Etiologia

A causa do TAG ainda hoje não é bem conhecida. Segundo os mais recentes estudos, o grupo afeta um grupo heterogêneo de pacientes, talvez porque certo grau de ansiedade seja normal e adaptativo, é difícil a diferença entre a ansiedade normal e patológica. (Barlow, 1999)

Fatores Biológicos

O TAG ocorre dentro de alguns padrões familiares, como: crescer no convívio de pais e irmãos ansiosos, que podem influenciar no desenvolvimento de um grau de ansiedade maior. Não há um, digamos, gene específico para TAG, talvez o que se herde é uma suscetibilidade para que o transtorno se desenvolva. Em uma família, sem história de transtorno de ansiedade, a chance de um dos membros ter o TAG é menor, em torno de 2%.

Tratamentos: Farmacológicos e Psicoterápicos.

I. O TRATAMENTO FARMACOLÓGICO (Dados: Food and Drugs Administration – FDA).

– Benzodiazepínicos. Os benzodiazepínicos, principalmente o alprazolam, são utilizados no tratamento farmacológico de escolha para transtornos de ansiedade generalizada. Sua notável segurança e eficácia estabelecida representam um avanço importante nesta área particularmente difícil da terapêutica.

– Buspirona. A buspirona é um agente ansiolítico azaspirona, cuja eficácia foi efetivamente demonstrada em vários estudos. A vantagem relatada, sobre outros benzodiazepínicos, é a ausência de dependência física, adicção, síndrome de abstinência, abuso, e interação com o álcool.

– Betabloqueadores. Os sintomas autonômicos associados com ansiedade são funções da atividade simpática beta-adrenérgica. A consciência subjetiva desses sintomas (por ex., palpitações) foi implicada na indução e exacerbação da ansiedade. Neste contexto, o uso do propranolol, um agente beta-bloqueador periférico, que reduz os sintomas autonômicos, foi proposta.

II.   O TRATAMENTO PSICOTERÁPICO

A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL.

Pacientes ansiosos e deprimidos geralmente têm pensamentos negativos e irrealistas sobre si mesmos e sobre seu ambiente. Esses esquemas mentais têm sido descritos como uma tríade consistindo de autopercepção negativa, vivência do ambiente como negativo e punitivo e expectativas negativas quanto ao futuro. A terapia cognitiva é um processo de curto prazo e altamente estruturado, no qual o terapeuta exerce um papel didático, estabelecendo agendas e distribuindo tarefas para serem realizadas em casa e incentivando a automonitoria cognitiva. O objetivo é identificar suposições mal-adaptativas, analisar sua validade e encorajar a rejeição de pensamentos exagerados ou imprecisos, para uma discussão sobre o uso da terapia cognitiva também no tratamento da depressão que, segundo novos estudos, está sendo considerada uma das mais indicadas para esse tipo de transtorno.

Ainda referente à Terapia Cognitivo Comportamental, destacam-se:

-Preocupação Geral e Tipos Específicos:

  1. Problemas imediatos que estão ancorados na realidade e são modificáveis (conflitos interpessoais). Estado de ânimo voltado para o futuro no qual se está disposto ou preparado para tentar enfrentar os acontecimentos negativos. A apreensão ansiosa associa-se a um estado de elevado afeto negativo e super excitação crônica, uma sensação de incontrolabilidade e um centrar a atenção sobre estímulos relativos à ameaça pessoal;
  2. Hábitos pessoais, vestir-se de modo apropriado para situações específicas e atribulações diárias;
  3. Problemas imediatos que estão ancorados na realidade, mas que não são modificáveis (preocupações sobre doença, pobreza, guerras, violência);
  4. Acontecimentos muito improváveis que não se baseiam na realidade e que por tanto, não são modificáveis (cair na ruína, ficar gravemente doente).

– Esquemas de Tratamento:

  1. Apresentação do tratamento;
  2. Análise comportamental e treinamento em perceber;
  3. Intervenções específicas sobre a preocupação;
  4. Reavaliação da valoração da preocupação.

– Análise comportamental e treinamento em perceber:

  • Aumentar a consciência do paciente.
  • Discriminação dos tipos de preocupações.

– Intervenções específicas sobre a preocupação:

  • Treinamento em solução de problemas adaptado;
  • Orientação em relação ao problema;
  • Habilidades de solução de problemas;
  • Exposição funcional cognitiva.

– Treinamento em solução de problemas adaptado (TSP):

  • Aplicam-se as preocupações com problemas que se baseiam na realidade:
  • Problemas modificáveis – centrar no problema;
  • Problemas não modificáveis – centrar na emoção.

– Orientação em relação ao problema:

  • Enfatizar a importância de reconhecer as reações aos problemas que são contraproducentes e corrigi-las, utilizando técnicas de reavaliação cognitiva;
  • Reações às situações problema = expressões de intolerância ante a incerteza;
  • Envolve as reações cognitivas, afetivas e comportamentais ante o problema.

– Habilidade de solução de problemas:

  • Definir o problema (objetividade, especificidade e clareza);
  • Geração de soluções alternativas (turbilhão de idéias);
  • Tomada de decisões (avaliar de modo realista as conseqüências de cada solução gerada – estratégias);
  • Aplicar e avaliar a solução.

– Exposição funcional cognitiva

  • Empregada para preocupações referentes a acontecimentos altamente improváveis que não se apóiam na realidade;
  • Utilizar a técnica das setas descendentes, identificando a pior imagem sobre a preocupação;
  • “Se… Fosse verdade, a que levaria?” ou “ O que isso significaria para você?”.

– Reavaliação da valoração da preocupação:

  • Como os pacientes com TAG costumam superestimar as vantagens e subestimar as desvantagens de preocupar-se é necessário examinar e reavaliar sua avaliação da utilidade da preocupação;
  • Utilizar técnicas cognitivas para corrigir crenças errôneas sobre as vantagens e desvantagens de cada preocupação específica.

Fonte: O Transtorno de Ansiedade Generalizada – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/o-transtorno-de-ansiedade-generalizada#ixzz1ouOSohZx

A Representação da Esquizofrenia no Cinema

Escrito por Lorenna Barradas e Diêgo Meireles | Publicado em Domingo, 05 Fevereiro 2012 22:34

Resumo: Este trabalho se propõe a observar a forma como o cinema hollywoodiano representa aesquizofrenia, visto que o conhecimento do público sobre o tema quase sempre se resume ao senso comum e o cinema pode contribuir para a formação desse conhecimento. Para isso analisamos os filmes Clube da luta Psicose, que tem protagonistas esquizofrênicos. A ideia é verificar se o cinema apresenta uma visão condizente com o conhecimento técnico acumulado sobre o tema.
Palavras chave: psicose, esquizofrenia, cinema, representação

Introdução

A Organização Mundial de Saúde – OMS estima que 1% da população mundial tenha esquizofrenia. É um transtorno bastante conhecido pela sociedade e, por ser um tema complexo e intrigante, aparece com certa frequência na arte, no cinema em especial. No entanto, este conhecimento quase sempre é reduzido ao senso comum, gerando muitos preconceitos.

Este trabalho tem como objetivo observar como se dá a representação da esquizofrenia no cinema hollywoodiano, verificando se a forma como ele caracteriza essa psicose colabora com o senso comum ou fornece um maior conhecimento sobre o assunto.

O corpus é composto por um filme de sucesso de crítica e público: Psicose (1960).

Para isso, inicialmente foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o tema, estudando a literatura de especialistas da saúde e psicanalistas. Em seguida foi escolhido um filme cujo tema central seja a esquizofrenia. Por fim verificamos se a representação condiz com os traços descritos pela ciência, tais como alucinações, delírios, isolamento social etc. Também foi realizado um estudo sobre a experiência proporcionada pelo cinema, constatando sua capacidade de influenciar o público.

1. A Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno psicótico caracterizado pelos seguintes sintomas (no mínimo dois):  delírios; alucinações; discurso desorganizado (p. ex., frequente descarrilamento ou incoerência); comportamento amplamente desorganizado ou catatônico; sintomas negativos (embotamento afetivo, alogia ou abulia).

A CID-10 e o DSM-IV reconhecem os seguintes subtipos de esquizofrenia: Tipo Paranóide; Tipo Desorganizado; Tipo Catatônico; Tipo Indiferenciado e Tipo Residual.

No Tipo Paranóide ocorrem delírios (crenças falsas que se baseiam em inferências incorretas sobre a realidade) ou alucinações (falsas percepções, que podem ser auditivas, visuais, gustativas, olfativas e táteis), sem proeminência de discurso desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico ou afeto embotado ou inadequado.

No Tipo Desorganizado ocorre proeminência de discurso desorganizado, comportamento desorganizado e afeto embotado ou inadequado.

O Tipo Catatônico é caracterizado por: imobilidade motora evidenciada por cataplexia (incluindo flexibilidade cérea ou estupor); atividade motora excessiva (aparentemente desprovida de propósito e não influenciada por estímulos externos); extremo negativismo (uma resistência aparentemente sem motivo a toda e qualquer instrução, ou manutenção de uma postura rígida contra tentativas de mobilização) ou mutismo; peculiaridades dos movimentos voluntários evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas inadequadas ou bizarras, movimentos estereotipados, maneirismo ou trejeitos faciais proeminentes); ecolalia ou ecopraxia.

No Tipo Indiferenciado ocorrem sintomas de esquizofrenia, mas estes não permitem a classificação nos subtipos citados anteriormente (Tipos Paranóide, Desorganizado ou Catatônico). No Tipo Residual estão ausentes delírios e alucinações, discurso desorganizado e comportamento amplamente desorganizado ou catatônico proeminentes, mas existem evidências contínuas da perturbação, indicadas pela presença de sintomas negativos ou por dois ou mais sintomas como crenças estranhas, experiências perceptuais incomuns, etc.

Dentre os conteúdos compreensíveis da psicose podem-se destacar alguns aspectos como a relação existente entre o conteúdo do delírio e as vivências anteriores do indivíduo (JASPERS, 2000). Ou seja, o delírio não é, de todo, fora da realidade da pessoa, tendo sempre uma relação com os fatos de sua vida.  Para Friedmann, toda formação delirante baseia-se no conflito vivencial que consiste no fato de a vontade individual ser dominada pela vontade total da comunidade. Há ainda o fato de que, em algumas vezes, o delírio representa condição necessária para aquele que delira e que, sem esse delírio, colapsaria (JASPERS, 2000)

Diversas são as atitudes do indivíduo em relação à doença. Alguns apresentam incapacidade de reconhecer o caráter estranho do comportamento, outros apresentam medo diante da transição do estado consciente para o inconsciente. Há ainda aqueles que apresentam perplexidade, uma incapacidade de aprender vivências novas e aqueles que relatam os conteúdos delirantes sem preocupação ou constrangimento, preocupando-se apenas com recaídas ou internações (JASPERS, 2000).

De acordo com o Código internacional de Doenças (CID 10),

Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, idéias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos (CID 10, cap.V. F20)

A mesma fonte também atenta para o cuidado de não fechar o diagnóstico em casos de esquizofrenia aguda, cíclica e reação esquizofrênica, visto que são eventos momentâneos. O mesmo vale para o transtorno esquizotípico, que é “caracterizado por um comportamento excêntrico e por anomalias do pensamento e do afeto que se assemelham àquelas da esquizofrenia, mas não há em nenhum momento da evolução qualquer anomalia esquizofrênica manifesta ou característica.” (CID10, cap.5) Bem como nos casos de alteração de personalidade pelo uso de substâncias químicas diversas.

A CID10 caracteriza ainda a chamada depressão pós-esquizofrênica, que ocorre após o fim de uma crise. Ela é caracterizada por uma desordem cerebral crônica, que é acompanhada por mudanças na percepção e no pensamento, delírios e alucinações. As alucinações mais frequentes em pessoas esquizofrênicas são as auditivas, com vozes sussurrantes ou claras, que discorrem sobre o comportamento da pessoa ou dá ordens e as visuais, podendo visualizar coisas ou, até mesmo, pessoas

2. Cinema

O cinema foi criado no fim do séc. XIX e consiste na projeção de imagens sucessivas que geram a sensação de movimento. É considerado uma importante forma de arte e de entretenimento popular, conquistando a nomeação de Sétima Arte.

Com o aperfeiçoamento da tecnologia, algumas pessoas passaram a ver o cinema como uma possibilidade artística. Houve uma junção de várias artes: literatura, teatro, dança e música. E o próprio cinema criou técnicas de expressão tais como ângulos de câmera, passagem de cenas e etc. Assim o cinema virou a Sétima Arte, contemplando aspectos visuais e sonoros.

O cinema dá a impressão de que é a própria vida que vemos na tela, brigas verdadeiras, amores verdadeiros. Mesmo quando se trata de algo que sabemos não ser verdade, como o Pica pau amarelo ou O mágico de Oz, ou um filme de ficção científica como 2001 ou Contatos imediatos do terceiro grau, a imagem cinematográfica permite-nos assistir a essas fantasias como se fossem verdadeiras; ela confere realidade a estas fantasias. (BERNARDET, 1980, p.125)

Assim, o espectador acaba por considerar informações passadas direta ou indiretamente, desde que elas não pareçam estranhas o suficiente para serem negadas pela consciência.

Apesar de generalizar ao falar da passividade do espectador, a ideia de Mauerhofer é pertinente e remete a famosa política “pão e circo” do império romano, que nos dias de hoje pode ser representada pelo cinema hollywoodiano. Nesse sentido, ele fala ainda:

O cinema se coloca assim na posição de uma realidade irreal, a meio caminho entre a realidade cotidiana e o sonho meramente pessoal. A experiência do cinema canaliza a imaginação, dando-lhe ainda o alimento de que tanto precisa.
(MAUERHOFER, 1966. Apud XAVIER.1983,p.379)

Como dito, esse aspecto de passividade se aplicaria mais aos filmes hollywoodianos, que são focados no mercado, ou seja, têm fácil assimilação e mais apoio popular. Isso justifica a escolha dos filmes ditos comerciais para este trabalho.

3. Análise dos Filmes

3.1 Psicose

O filme Psicose (Psycho, no original), do diretor Alfred Hitchcock, estreou em 1960. É um clássico do cinema mundial que se imortalizou, dentre outras coisas, pela cena do assassinato na banheira. Uma mistura de suspense e terror.

O próprio título já remete ao transtorno psicótico. Com o desfecho da história, fica claro que se trata de esquizofrenia. É um jovem, Bates, que assume a personalidade da mãe, e acredita que a mesma ainda esteja viva, conservando com seu cadáver em casa. Ou seja, a ideia que o filme passa é que ele tem alucinação, uma falsa percepção, seja visual ou auditiva, de que sua mãe ainda vive. E na cena em que o psiquiatra revela toda a história ele mostra como a esquizofrenia tem relação direta com a história de vida do jovem. Não há referência a fatores genéticos e, pela forma geral como se apresenta, pode ser classificada como esquizofrenia indiferenciada.

Em relação ao convívio social, também fica claro o isolamento de Bates, característico de uma psicose, visto que ele vive isolado no motel que não recebe hóspedes. No entanto, apresenta comportamentos estranhos de manter o estabelecimento funcionando perfeitamente, mesmo que ninguém apareça e também mostra traços de comportamento infantil, como se tivesse idade de uma criança. Duas cenas atestam esse aspecto: a conversa com Marion enquanto ele come o sanduíche e a cena que mostra o quarto de Bates cheio de brinquedos. Já em outras cenas, ele exibe um comportamento perfeitamente normal, o que é aceitável já que a esquizofrenia não compromete necessariamente a capacidade intelectual.

Na história, o garoto mata a mãe e o padrasto, por não aceitar tal relação. A mãe não vivia mais só com ele, mas também com o padrasto. Então ele mata a mãe a traz para a realidade na forma de alucinação.

Apesar de ser um filme hollywoodiano, não é um filme previsível nem segue um modelo estabelecido. Na verdade esse filme marcou o cinema mundial, sempre aparecendo nas seleções de melhores filmes.

No que se refere á esquizofrenia, o diretor foi muito feliz na representação, já que, de maneira geral, ela condiz com as referências do tema. Embora possa haver alguma estigmatizarão por parte dos espectadores pelo fato de Bates ser um assassino.

4. Considerações Finais

Considerando relevante a possível influência dos filmes sobre o público em relação à formação de conceitos sobre a esquizofrenia, foi possível verificar nos dois filmes, com base nos estudos científicos acumulados, aspectos condizentes e não condizentes em suas representações.

Consideramos que o filme pode omitir um ou outro aspecto, por ser uma narrativa curta, ou até mesmo exagerar na intensidade de um determinado comportamento, o que é comum no cinema.

No filme Psicose, depois de analisado, foi possível a constatação de aspectos que não contradisseram o CID10, por exemplo. Para esse filme, os resultados obtidos foram satisfatórios, sem apresentar dissonância em relação à realidade.

Um aspecto que devemos ressaltar é a questão da agressividade do personagem esquizofrênico do filme, o que pode levar os espectadores a acreditarem que este é um sintoma característico/necessário do transtorno, sendo que este não é tão frequente quanto o cinema faz parecer.  Ou seja, os filmes podem acabar transmitindo uma imagem negativa do esquizofrênico. Os comportamentos agressivos, quando ocorrem na esquizofrenia, geralmente estão associados a delírios e alucinações muito intensos que perturbam o julgamento do indivíduo e a falta de uso de medicação psicotrópica apropriada.

Fonte: A Representação da Esquizofrenia no Cinem – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/a-representacao-da-esquizofrenia-no-cinema#ixzz1ouOnxP6O

Diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH) em Crianças da 1ª Série do Ensino Fundamental da Rede Pública

Escrito por Camila De Meneses Brito e Kethully K. C. Martins de Sousa | Publicado em Quarta, 11 Janeiro 2012 16:00

Resumo: O trabalho realizado trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva de levantamento que objetivou constatar como é feito o diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH) em crianças da 1ª série do ensino fundamental da rede pública de ensino. Relata as características observadas nas crianças com TDAH, o convívio escolar (relações interpessoais) e o acompanhamento familiar no tratamento. O projeto discorre, também, se acontece a parceria escola-família e a rendimento escolar dos alunos com TDAH. Para isso, foi realizada uma entrevista estruturada com cinco professoras da rede pública de ensino. Os resultados mostraram que inquietação e agitação são as características mais comuns entre as crianças portadoras do Déficit, elas apresentam dificuldades nos relacionamentos escolares e a família desconhece o problema. A análise dos dados permitiu afirmar que não existe diagnóstico preciso, este feito pelas professoras por inexistência de profissionais especializados e, em consequência disso, os alunos apresentam baixos rendimentos.
Palavras-chave: Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH); diagnóstico; crianças.

Fonte: Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/#ixzz1olWJ31cE

Transtorno de Ansiedade Social: Consequências no Desempenho do Indivíduo

Escrito por Alda Vanessa Cardoso Ferreira¹, Ravena Batista de França Teles²

Resumo: O Transtorno de Ansiedade Social (TAS) caracteriza-se pelo medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho, podendo influenciar a vida cotidiana dos portadores. Como resposta a isso, o indivíduo passa a estar frequentemente evitando determinados locais. Caso não consiga evitá-los, a situação é vivenciada com grande sofrimento e ansiedade. Alguns sintomas acompanham o transtorno, tais como sudorese, tremores, palpitações, rubor facial, entre outros. Existe uma certa dificuldade na identificação do TAS, já que este pode estar associado a outras disfunções. Os impactos na qualidade de vida e nas atividades cotidianas constatam a insatisfação com a vida e com a saúde em pacientes com Transtorno de Ansiedade Social. Dessa forma, é válida a importância da avaliação das consequências do Transtorno de Ansiedade Social no funcionamento do cotidiano, portanto no desempenho do indivíduo, por meio de medidas objetivas. Destaca-se a relevância de tais avaliações no planejamento e na intervenção de atividades voltadas ao Transtorno de Ansiedade Social no contexto das práticas multidisciplinares de saúde mental.
Palavras-chave: Transtorno. Ansiedade. Fobia. Social.

Introdução

Diante da complexidade e desenvolvimento da sociedade, diversos fatores atingem, em aspectos diversificados, a vida do indivíduo. Por estar inserido num ambiente social, ele é muitas vezes cobrado por suas habilidades, as quais podem não estar no seu estado de normalidade.

As concepções que o sujeito tem à respeito do mundo e de si mesmo e a maneira como lidar com elas afeta seu bem-estar emocional. Neste sentido, quando a capacidade de se relacionar com outras pessoas ou de solucionar situações conflituosas está em déficit podem surgir problemas psicológicos ligados à ansiedade, inclusive o Transtorno de Ansiedade Social (TAS). De acordo com Sims (2001), as pessoas com o transtorno descrevem componentes ideacionais típicos, concentrando-se em temas de perigo pessoal, especialmente danos físicos, além de envolver medo de desempenho na presença de outras pessoas.

Este trabalho se justifica pela necessidade de explicitar um tema considerado relevante para a atualidade como também mostrar até que ponto o grau de ansiedade pode afetar o comportamento do indivíduo. Além disso, possibilitar a prática e o crescimento intelectual acadêmico e social na elaboração de um artigo científico. Visa permitir também a identificação e possíveis esclarecimentos do Transtorno de Ansiedade Social.

Dessa forma, a questão norteadora deste estudo é saber quais as causas e consequências, em nível de comportamento de social, dos indivíduos portadores do TAS.

Transtorno de Ansiedade Social

O Transtorno de Ansiedade Social (TAS), também conhecido como Fobia social e Transtorno de Fobia social, refere-se ao medo excessivo que os indivíduos têm de humilhação ou embaraço em várias situações sociais, como ao falar em público, urinar em banheiros públicos (bexiga envergonhada) e falar com alguém que tencione namorar (SADOCK; SADOCK, 2007).

Segundo a CID-10, a fobia social frequentemente se inicia na adolescência e está centrada em torno de medo de expor-se a outras pessoas em grupos comparativamente pequenos (em oposição a multidões), levando à evitação de situações sociais. Diferentemente da maioria das outras fobias, a Fobia social é igualmente comum entre os homens e as mulheres.

De acordo com Elioterio (2007), o Transtorno de Ansiedade caracteriza-se como medo marcante e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho, onde a pessoa teme demonstrar ansiedade ou agir de modo humilhante. Nesta publicação, portanto, o TAS é apresentado como um temor relacionado a situações públicas envolvendo desempenho, bem como situações públicas de interação social.

Brito (2007) afirma que os comportamentos decorrentes são fuga e esquiva, respostas que eliminam, amenizam ou adiam um evento aversivo. Se a emissão desses comportamentos não for possível, o contato é realizado com grande sofrimento e comprometimento cognitivo e autonômico do indivíduo.

Pessoas com TAS descrevem componentes ideacionais típicos, concentrando-se em temas de perigo pessoal e especialmente danos físicos (SIMS, 2001). Os pensamentos das pessoas afetadas incluem: “Posso entrar em pânico na frente de outros”; “Posso morrer de ataque cardíaco enquanto durmo” e “Terei um ataque cardíaco”. Essas distorções podem interferir no aprendizado ao diminuir a concentração, reduzir a memória e perturbar a capacidade de fazer relações (SADOCK; SADOCK, 2007).

Ansiedade, Medo e Adaptação

Vale ressaltar que todo mundo experimenta ansiedade – uma sensação difusa, desagradável e vaga de apreensão — por vezes acompanhadas de sintomas autonômicos. A ansiedade é um sinal de alerta; indica um perigo iminente e capacita a pessoa a tomar medidas para lidar com a ameaça. O medo também é um sinal de alerta, semelhante à ansiedade. De acordo com Sadock&Sadock (2007), a diferença encontra-se no fato de que o medo é uma resposta a uma ameaça conhecida, externa, definida e sem conflitos; a ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga e conflituosa.

Embora a ansiedade favoreça o desempenho e adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que o organismo atinja um máximo de eficiência. A partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário.

Fatores Relacionados ao Transtorno de Ansiedade Social

O TAS é um dos transtornos de ansiedade mais comum e tem sido considerado um grave problema de saúde pública. No entanto, Crippa, Loureiro e Morais (2007) afirmam que tal condição clínica, por vezes, é sub-reconhecida e subdiagnosticada por estar frequentemente acompanhada por comorbidades como depressão, distimia, abuso e dependência de álcool e drogas, ideação suicida, transtornos alimentares e outros tipos de transtornos de ansiedade. Dessa forma, existe a dificuldade na identificação da Fobia social por ela estar associada a outras características sintomáticas.

Indivíduos com fobia social, geralmente, apresentam hipersensibilidade a críticas, avaliações negativas ou rejeição, têm dificuldade em ser afirmativos, e possuem baixa auto-estima e sentimento de inferioridade (BRITO, 2007).

As pesquisas na área têm possibilitado identificar alguns fatores que levam à predisposição do TAS, como os fatores biológicos, cognitivos, fatores envolvendo relações familiares, sociais/culturais e de personalidade. Segundo Elioterio (2007):

  • Fatores biológicos
  • Não se identificam, nestas experiências, provas suficientes para confirmar uma transmissão genética direta, mas, de alguma forma, pôde-se, em sua conclusão, identificar a possibilidade de uma “vulnerabilidade constitucional” para o desenvolvimento de um transtorno de ansiedade.
  • Os parentes de primeiro grau de indivíduos com Fobia social têm cerca de três vezes mais probabilidade de serem afetados com a condição do que parentes de indivíduos sem transtornos (SADOCK; SADOCK, 2007).
  • Fatores cognitivos
  • Provável ligação da Fobia social com forte desejo de causar impressão favorável nos outros e uma insegurança marcante sobre a própria habilidade em alcançar esse objetivo. Quando entram em uma situação social, os indivíduos acreditam que se comportarão de modo inadequado e como consequência serão rebaixados, rejeitados. À medida que a situação social é vista como perigosa, essa avaliação ativa um programa de ansiedade, onde os sintomas tornam-se novas fontes de ameaça, já que são avaliados negativamente pelo doente.
  • Fatores envolvendo relações familiares
  • Influência do ambiente familiar, principalmente da relação com os pais;
  • Vivência de superproteção;
  • Vivência de rejeição;
  • Vivência de isolamento social.
  • Fatores sociais/culturais
  • Preconceito entre colegas;
  • Competição excessiva dentro do ambiente escolar, acadêmico e social.
  • Fatores de personalidade
  • Medo da avaliação negativa.

Em síntese, pode-se dizer que estará mais propenso ao TAS aquele indivíduo que apresenta um estilo cognitivo que pode ser aprendido e formado a partir de experiências da vida e a uma relação parental crítica, rejeitadora, superprotetora, com ênfase nas regras de avaliação dos outros, a um baixo nível de encorajamento ao engajamento social e a sociedades competitivas.

Em relação aos critérios diagnósticos, conforme a CID-10, o indivíduo apresenta um medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho, nas quais ele é exposto a pessoas estranhas ou ao possível escrutínio por terceiros; o indivíduo teme agir de um modo que lhe seja humilhante e vergonhoso; a exposição à situação social temida quase invariavelmente provoca ansiedade, que pode assumir a forma de um ataque de pânico ligado à situação ou predisposto por situação; a pessoa reconhece que o medo é excessivo ou irracional; as situações sociais e de desempenho temidas são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade ou sofrimento; a esquiva, a antecipação ansiosa ou o sofrimento na situação social ou de desempenho temida interferem significativamente na rotina, no funcionamento ocupacional (acadêmico), em atividades sociais ou relacionamentos do indivíduo, ou existe sofrimento acentuado por ter a Fobia.

O Transtorno de Ansiedade Social, na maioria das vezes, é acompanhado por sinais e sintomas como: palpitações, tremores, sudorese, desconforto gastrointestinal, tensão muscular, rubor facial e confusão (CRIPPA; LOUREIRO; MORAIS, 2007).

Danos do Transtorno de Ansiedade Social

Frente às situações percebidas como ameaçadoras, os indivíduos portadores do TAS procuram evitá-las e como  o transtorno limita-se ou prevalece no contato social, a vida cotidiana pode se caracterizar pela recusa em apresentar trabalhos ou seminários, escrever, comer e falar ao telefone na frente de colegas, realizar entrevistas na escola, com professores, ou no trabalho, com chefes, iniciar uma relação afetiva, viajar com os amigos, participar de jogos e de atividades esportivas, entre outras. Considera-se, assim, que as conseqüências relacionadas ao TAS incidem diretamente na vida cotidiana das pessoas, possivelmente prejudicando sua qualidade de vida (CRIPPA; LOUREIRO; MORAIS, 2007).

Muitas vezes, os portadores se vêem como incapacitados. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) apresenta incapacidade como um termo genérico para caracterizar deficiências, limitações de atividades e restrições de participação em diferentes domínios, englobando a interação entre o indivíduo e seus fatores contextuais.

Para as pessoas com TAS, os prejuízos funcionais se configuram como um ponto central de suas dificuldades (CRIPPA; LOUREIRO; MORAIS, 2007). Dessa forma, segundo os profissionais da área, as conseqüências são de moderadas a graves nas áreas referentes à escola, trabalho, relações familiares, namoro/casamento, amizades/rede social e outros interesses. É frequente o absenteísmo, pouca produtividade no desempenho profissional e atividades de autocuidado também se mostram comprometidas. Dessa forma, quanto maior a intensidade de sintomas relacionados ao TAS, maiores os prejuízos funcionais e menor a qualidade de vida.

Um aspecto interessante dos estudos de Crippa, Loureiro e Morais (2007) é que as pessoas solteiras ou separadas e com menor índice de escolaridade apresentam mais prejuízos em comparação com as pessoas casadas e com maior escolaridade.

Partindo do pressuposto de que as pessoas com TAS apresentam indicadores de limitações profissionais, consequentemente elas apresentam limitações quanto aos recursos financeiros, pois gastam mais com serviços de saúde e ganham menos referindo dificuldades em conseguir emprego e nas relações de trabalho, além da perda da produtividade.

Tratamento

De acordo com SADOCK&SADOCK (2007), tanto a psicoterapia como a farmacoterapia são úteis no tratamento do Transtorno de Ansiedade Social, e abordagens variáveis são indicadas para os tipos generalizados e envolvem situações de desempenho. Alguns estudos indicam que a utilização tanto de uma como de outra produz melhores resultados do que cada tratamento isoladamente, embora este achado não seja aplicável a todas as situações e pacientes.

Medicamentos eficazes no tratamento da Fobia social incluem (1) inibidores seletivos de captação de serotonina (ISRSs), (2) benzodiazepínicos, (3) venlafaxina (Effexor) e (4) buspirona (BuSpar). A maioria dos clínicos considera os ISRSs o tratamento de primeira linha para pacientes com Fobia social generalizada. Os benzodiazepínicos alprazolam (Frontal) e clonazepam (Rivotril) também são eficazes. A buspirona mostrou efeitos adicionais quando utilizada para potencializar o tratamento com os ISRSs.

Considerações Finais

O Transtorno de Ansiedade Social é uma realidade presente e cada vez mais frequente no cotidiano, dado que o desenvolvimento humano implica também no surgimento de vários fatores que possam afetar a sua saúde.

Tendo em vista a relevância e a contribuição que a elucidação deste transtorno trará para a avaliação de suas conseqüências, é de suma importância que os profissionais de saúde avaliem a funcionalidade, tendo em vista que somente o conhecimento das causas e das freqüências não é suficiente para intervenções, ressaltando que a necessidade da identificação do que as pessoas podem ou não podem fazer na sua vida diária como recurso que instrumente a prática da saúde mental.

Fonte: Transtorno de Ansiedade Social Consequências no Desempenho do Indivíduo – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/transtorno-de-ansiedade-social-consequencias-no-desempenho-do-individuo#ixzz1olX9mEdj

Referências:Referências:

ALBERT, Éric; URURAHY, Gilberto. O cérebro emocional: As emoções e o estresse do cotidiano. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

BRITO, Sérgio Cronembergue. O estresse e os transtornos de ansiedade na sociedade do início do século XXI: Uma revisão cognitivo-comportamental. Teresina: FACIME/UESPI, 2007.

CRIPPA, José Alexandre; LOUREIRO, Sonia Regina; MORAIS, Luciene Vaccaro de. Os prejuízos funcionais de pessoas com transtorno de ansiedade social: uma revisão*. São Paulo: USP, 2007.

ELIOTERIO, Zayla Sotero do Nascimento. A falta de habilidades sociais no Transtorno de Ansiedade Social decorrentes de crenças disfuncionais. Teresina: FACIME/UESPI, 2008.

OLIVEIRA, Emídio José Medeiros de. A ansiedade e a psicologia clínica – Estudo de caso. Teresina: FACIME/UESPI, 2008.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID 10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Trad. Dorgival Caetano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

SADOCK, Benjamin James; SADOCK, Virginia Alcolt. Compêndio de Psiquiatria: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 9 ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

SIMS, Andrew. Sintom

Fonte: Transtorno de Ansiedade Social Consequências no Desempenho do Indivíduo – Transtornos Psíquicos – Psicopatologia – Psicologado Artigos http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/transtorno-de-ansiedade-social-consequencias-no-desempenho-do-individuo#ixzz1olXJ8SmO