PSICANÁLISE E O FENÔMENO PSICOSSOMÁTICO

O FENÔMENO PSICOSSOMÁTICO 

 

Prof. Renée Cavalcanti

 

  • Saúde mental x Patologia Psicossocial e Psicossomática.
  • A relação e indivisibilidade corpo e mente + vida social.
  • O homem como ser uno e múltiplo / singular e plural.
  • O ser vivo da espécie humana + o ser humano pessoa.
  • “Tornar-se pessoa” envolve experiência social, interpretação, construção.
  • As ordens de auto-regulação, adaptação, reestruturações.
  • A resiliência, nos conceitos da atualidade.
  • As ordens defensivas como adaptação / ajuste e fuga de dor.
  • As ordens biofílicas e neofílicas, etc…
  • Todas as “ordens” naturais entrelaçadas e flexíveis.
  • O terror do vazio, do nada, da desintegração…
  • Os impulsos primitivos / as aprendizagens sociais.
  • A Psicossomática entre a Medicina e a Psicanálise.
  • A medicina e o corporal bio-anátomo e funcional.
  • E quando a “queixa” não se fundamenta nestes aspectos objetivos?
  • A psicanálise: pulsões, tensões, desejos, afetos, emoções, energias, o soma simbólico (subjetivos).
  • Os riscos: a medicina reduzir o psíquico ao somático ou a psicanálise reduzir o somático ao psíquico.
  • A psicossomática caminha nos dois campos: corpo e mente, objetivo e subjetivo, em contextos sociais.
  • Realidade objetiva e realidade subjetiva.
  • Freud: psicopatologias funcionais como a neurose, psicose, perversões estão ligados ao orgânico.
  • O corpo é libidinal. O recalque gera fragilidades globais.
  • Algo emerge do inorgânico para a vida (!?) e traz consigo uma ordem de retorno (volta ao inorgânico) junto às ordens de vida (EROS e TÂNATOS).
  • As ciências exatas e naturais às vezes se confundem ou usam a psicanálise e vice-versa (soma e psiquismo).
  • A realidade é absorvida pelo fenômeno percebido pelo sujeito (sensações – percepções) o real pode dar espaços ao imaginário.
  • Figurações simbólicas expressam ou acalmam a presença de sofrimentos (Exemplo: amor e ódio, medo, decepção, etc…) e permite o surgimento do “Quadro Sintomático” (Exemplo: hipocondria).
  • “O sintoma orgânico está impregnado de material psíquico que o determina” (GRODDECK, 1969).
  • Distúrbios como neuroses de angústia, neurastemia, TOC… Aparecem como características da energia sexual, muito ou pouco descarregada (psicanálise).
  • A (des)organização psicótica da mente interfere no corpo, passa da tensão à carga. A divisão celular fica comprometida, pois esta pode alcançar as funções do aparelho vital autônomo.
  • Muitos cientistas hoje concebem a possibilidade elevada de que há estreita relação entre as emoções e sofrimentos com o câncer (orgãos asfixiados)
  • Pode existir alteração bio-energética, ou seja, orgânico-física das células do corpo (REICH – sobre os bions).
  • Alexitimia como disfunção da ordem dos afetos (carência e inexpressividade afetiva).
  • Freud fala do quantum de afetos ou soma de excitação que é capaz de aumentar ou diminuir mas que a medicina não tem ainda como medi-la. Ela está estreitamente ligada às representações simbólicas (mente).
  • A TEORIA RELACIONAL
  • Esta teoria afirma a relação soma-psiqué, de modo “circular”, não influem um sobre o outro – funcionam juntos, é uma realidade global o fenômeno psicossomático.
  • Realidade (estados de vigília diante dele) e os estados oníricos (sonhos, fantasias, afetos, devaneios, alucinações) nem sempre se equilibram.
  • Há conflitos e contradições entre o real e o imaginário, ou estados de vigília e sonhos – podem levar a esgotamentos. Há energias envolvidas.
  • A patologia orgânica seria então uma resposta possível, às vezes ligada ao estresse com modificações físico-funcionais.
  • Sami-Ali (2004) afirma que o “estresse é uma forma particular de impasse”. Tratar o impasse, invertendo a perspectiva sobre ele e dissolvê-lo, reduzi-lo a um conflito solúvel”.
  • Não há necessidade de abandonar o sonho em proveito da transferência como é feito na psicanálise. Apenas se libera a capacidade do sonho em ações adaptativas solúveis.
  • A MEDICINA E A PSICOSSOMÁTICA DERMATOLÓGICA
  • O corpo expressa, “fala” da dor que o envolve. Vida emocional e orgânica são relacionais, se modificam e se estruturam a todo tempo.
  • Partir da “queixa” ou “pedido” do cliente torna-se a pedra angular do edifício terapêutico, e neles que começa a reestruturação da subjetividade (SAMI-ALI, 2004).
  • Dermatologista Psicossomática – nova área da medicina. Afirma a existência de equilíbrios e desequilíbrios entre células favoráveis à imunologia.
  • Exageros ou queda de anticorpos e citocinas levam à inflamações (lesões e eczemas). “Chamamos de Dermatites Atópicas.
  • Também há patologias funcionais, e não lesionais, o sintoma tem seu sentido e existe uma psicogênese. Exemplos: paralisias, anorexias, tiques, dores nevralgias, articulares, etc…
  • As patologias orgânicas lesionais e de impasse são certa expressão de “fechamento de possibilidades de solução” de impasses.
  • A dermatologia psicossomática, ajuda a dissolver e tornar solúvel o impasse, mas nem sempre isto é possível. A dermatite atópica, por exemplo, exige tratamento local e sintomático, para as crises (Patogenia incerta).
  • A Fisiopatogenia é um distúrbio da imunidade, relacionado a um equilíbrio inadequado de sua regulação, produz excesso de anticorpos e citocinas, levando a lesões inflamatórias do eczema.
  • O dermatologista psicossomático não se ocupa apenas do corpo real patológico, mas também do mundo envolvente e o corpo imaginário.
  • Às vezes, a relação pais e filhos – suas projeções e medos – exercem na criança certos impasses; e daí as expressões de “fechamento”.
  • Eczemas tem causas plurifatoriais, nem sempre é fácil, mas é certa a existência de “impasses” afetivos causais, o que não exclui fatores genéticos e outros ambientais.
  • Sem poder “fugir ou atacar”, o estresse humano, que é simbólico se expressa no corpo, às vezes nem é em forma de lesão. Pode surgir como reclusão ou hiperpassividade, hiperatividade, silêncio, etc…
  • Sensação de impotência (sem saída). Descobrir o que o originou e buscar diluí-lo para possíveis soluções. (Exemplo: hipertensão – mãe na casa da filha raivosa).
  • Associações entre orgãos (funções) e a “lembrança recalcada”. (Exemplo: mãos que apanhavam do pai que abandonou a família, quando a pessoa era criança) – Anatomia do imaginário.
  • Assim, a doença parece ir além do estresse (sem saída) e um trabalho psíquico consciente pode resolver.
  • O sistema imunológico pode reconhecer o não-eu ou agressão da angústia como “estranho” a si, desenvolve anti-corpos contra o próprio corpo.
  • A identidade tem fundamentos também biológicos; na doença auto-imune pode surgir da confusão entre o eu e o não eu e o esgotamento energético.
  • Fourreau fala do “corpo anônimo” e a imagem de si mesmo, em certo poder despersonalizado ditando ordens que sufocam o eu, um recalcamento forte leva ao desespero corpo-mente em dupla existência.
  • Como falar de mim? Como pensar em mim se eu não sei quem sou?
  • Usos da anamnese ajuda o diagnóstico (Exemplo: síndrome do aniversário de Anne, aos 35 anos quando sua mãe havia morrido de câncer).
  • Mobilizar as defesas do sujeito para que ele possa resolver sua dor e recalques, ajudá-lo a não se fechar em seu impasse.
  • PSICOSSOMÁTICA EM PSIQUIATRIA
  • Nem tudo é biológico! Nem tudo é psicológico! Nem tudo é educação! A Psiquiatria, com seu modelo médico apenas, não será tão positiva!
  • A psiquiatria hoje mudou pela evolução das correntes culturais e psicológicas e já não faz separações rígidas entre o “normal e o patológico” ou nosológico.
  • O poder da primeira entrevista, a perspicácia profissional sobre as patologias de adaptação e sinais de recalques – impasses do mundo imaginário.
  • O modelo fechado de clínico X os modelos multidimensionais. Ex: remédios para depressão + apoio da psicossomática.
  • Impasses entre o corpo real e o corpo imaginário, na vida.
  • Gauthier (1993) afirma sobre a unidade de funcionamento do corpo espírito do ser humano, “há uma natureza particular em cada organização mental” de cada um.
  • Para Sami-Ali, a somatização no corpo real, ocorre sempre em uma situação de impasse, sinônimo da existência de um conflito percebido como insolúvel (imaginário).
  • Tudo isso exige nova reflexão sobre os afetos, e estes são qualitativos e quantitativos, envolve energias, biologias e simbolizações.
  • A medicina e a psiquiatria está hoje, interessadas nos sonhos, a atividade onírica é reveladora.
  • Não há uma doença ou doente psicossomático, e sim uma abordagem e sim,  compreensão psicossomática do sujeito.
  • Toda estruturação e funcionamento vital (orgânico, psíquico, social) precisa do trabalho de equilibração e nem sempre se consegue bem.
  • A abertura a novos conceitos nos ajuda a ajudar o próximo. A diabetes (dependente de insulina) por exemplo, é vista como doença auto-imune com forte interação entre o psíquico, o somático e o interacional.
  • Assim também, na vida prática, profissional ou teológica podemos ajudar nas questões da depressão, da toxicomania, da anorexia nervosa, das alergias, e etc…
  • Os riscos da “perda” de si mesmo (self e identidade), os impasses, as simbolizações, a eterna alerta, os afetos, os jogos interativos.
  • Observações da questão ritmo e tempo – as lembranças, os traços, a sincronização entre mãe e filho, a construção da subjetividade… Conformismo social, etc…
  • Observações sobre a “distimia” (sub-humor depressivo que evolui mais de três anos ) que não disturbio bipolar.
  • A “distimia” é mais comum do que se pensa. Há recalcamentos do imaginário; a realidade é percebida como vazia de sentido, pobre “coisa”, sem afetos, factual, neutra, sem lugar à fantasia e criatividade.
  • “Fazer o mal ou fazer o bem dá tudo na mesma” → valência negativa, e isto é alo que, com a visão psicossomática, a teologia pode ajudar. Ela, e outros, serão capazes de apoiar a reapropriação da subjetividade.
  • Técnicas como o relaxamento, a dança, artes de expressar-se, o caminhar livre, sensorialidade, gestualidade, construções…
  • “O corpo é unidade sintética”, um espaço vivo de representações desde a troca mãe-bebê e nele se estabelecem formas, conteúdos e sentidos, no tempo-espaço.