APOSTILA PSICANÁLISE E RELIGIÃO

                                                   Psicanálise e Religião

Por. Rogério C. Vieira

O psiquismo é uma capacidade que Deus concedeu à humanidade, é criação d’Ele,
e jamais algo que Ele despreze.RCV

Conceituando

RELIGIÃO deriva do termo latino “Re-Ligare”, que significa “religação” com o divino.

Essa definição engloba necessariamente qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo Metafísico, ou seja, de além do mundo físico.

Psiquê – alma

Psiquismo – ou o psíquico é o nome científico que resume as noções de alma, espírito, mente, pensamento, conduta, comportamento, vida pessoal, drama pessoal humano, vida intelectual, afetiva e ativa.

Psicanálise – psiché (que significa alma, espírito, sopro da vida) e análysis (que significa análise ou decomposição em partes).

Psicologia – derivação de duas palavras gregas: psiquê que significa “alma”, e logia que significa “estudo de”.

 

Introdução

A psicanálise desde a sua criação por Freud há mais de um século, vem ganhando espaço e sendo respeitada como ciência em todo mundo. Entre as religiões, porém, a psicologia no geral ainda encontra muita resistência.

Nosso objetivo é falar sobre a aversão de um grande percentual cristão à psicanálise, e mostrar que a bíblia não se coloca em oposição à ciência psicanalítica, mas objetiva ajudar o homem na solução de conflitos humanos e existenciais.

Psicanálise é a ciência do inconsciente. Um método de investigação, que consiste essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, e das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito.

A nova teoria de Freud estabelecia que as pessoas que ficavam com a mente doente eram aquelas que não colocavam seus sentimentos para fora. Segundo Freud, este tipo de pessoa tinha a capacidade de fechar de tal maneira esses sentimentos dentro de sua mente, que, após algum tempo, esqueciam-se da própria existência

 

A PROPOSTA DA PSICANÁLISE FREUDIANA

A partir de sua teoria, Freud resolveu tratar esses casos através da hipnose, e posteriormente, pela interpretação dos sonhos das pessoas e também através do método da associação livre.
Neste último ele fazia com que seus pacientes falassem qualquer coisa que lhes viessem à cabeça.

Com este método ele era capaz de desvendar os sentimentos “reprimidos”, ou seja, aqueles sentimentos que seus pacientes guardavam somente para si.

Após desvendá-los ele os estimulava a colocarem esses sentimentos para fora.

A psicanálise busca a palavra que mora no silêncio – A palavra que anuncia e que denuncia – seja por expressão verbal ou gestual.

A psicanálise busca mudar o sentimento de luto para investimento de luta. Seja esse luto afetivo, emocional ou ético.

A psicanálise não determina ao homem o caminho que seguirá, mas põe diante dele um espelho para que ele se reconheça.

Em alguns casos, a psicanálise faz o homem aterrissar seguramente de uma viagem turbulenta e sobremodo longa, possibilitando que ele novamente sinta o chão e a capacidade que tem de caminhar com as próprias pernas.

A psicanálise busca defender o direito do indivíduo na sua subjetividade. Ninguém pode viver a vida do outro.

A psicanálise busca permanentemente a mudança através das três formas básicas:

Psicoterapia de apoio – no máximo uns 6 encontros

Psicoterapia breve – pode durar entre 5 a 6 meses

Psicoterapia profunda – pode levar anos

A psicoterapia lidar com todas as formas que o sofrimento humano pode assumir, como:

Crises pessoais, Conflitos conjugais e familiares, transtornos psicopatológicos, distúrbios psicossomáticos, crises existenciais e problemas nas transições entre as fases da vida, etc. É também um espaço favorável ao crescimento pessoal

 

A PSICANÁLISE E A EXISTÊNCIA DE DEUS

Certa vez, ao ser questionado sobre a existência de Deus, Jung respondeu: ‘I do not believe, I know. (Eu não acredito, eu sei.)

Henri Fabre, humanista, naturalista, entomologista, escritor e poeta francês sobre a mesma questão, disse: “Não acredito em Deus: eu o vejo.

Fabre – chegou a essa conclusão através da natureza dos instintos, observando o mundo dos insetos Jung – no trato com a natureza psíquica do homem, observando e sentindo as manifestações do inconsciente .

Jung entendia que a descrença provinha da ignorância daqueles que queriam poder medir Deus, vê-lo para crer.

‘… o erro materialista foi inevitável. Como não se pôde descobrir o trono de deus entre as galáxias, conclui-se simplesmente que Deus não existe. Pg  90 – Jung –Psicologia e religião

Tal como a Ciência, a Arte e a Filosofia, a Religião é parte integrante e inseparável da cultura humana, e continuará sendo. Significa que seus futuros pacientes certamente crêem em alguma coisa.

A crença da existência do ‘bem e do mal’ sempre esteve entre os povos nas suas culturas, e os homens sempre puderam escolher seus deuses. A psicanálise não ficou indiferente a isso. Um psicanalista também pode crer, ou não crer em algum deus.

“Sempre existiram demônios e poderes, e não nos compete criá-los, nem precisamos fazê-lo”.
A única tarefa que nos cabe é escolher o ‘senhor’ a quem desejamos seguir, para que esse serviço nos proteja dos ‘outros’, que não escolhemos. “Deus não é criado, mas escolhido”. Pg 92 – Jung –Psicologia e religião

‘Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.’ IRs 18:21;

Jung, que era filho de pastor protestante, não pode deixar de perceber a importância da fé para o homem, a afirmou que o problema da humanidade, é não querer enxergar o Criador como ele de fato é.

O ‘senhor’ que escolhemos não se identifica com a imagem que dele esboçamos no tempo e no espaço. Ele continua a atuar como antes nas profundezas da alma, com uma grandeza não-reconhecível. A rigor, nem mesmo conhecemos  a essência de um simples pensamento, quanto mais os últimos princípios do psíquico em geral…

Jung diz que, uma vez que o homem escolhe um Deus e tem uma visão ou preferência pela forma, característica ou imagem desse deus, ao constatar que algo não é exatamente ou pelo menos semelhante ao que se imagina, esse homem poderá dizer como Nietzche: ‘Deus está morto’ todavia, mais acertado seria afirmar: “Ele abandonou a imagem que havíamos formado a seu respeito e nós, onde iremos encontrá-lo de novo?”

 

 

A RELIGIÃO

RELIGIÃO deriva do termo latino “Re-Ligare”, que significa “religação” com o divino. Pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que parte da humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças.

Religião é a atitude de um ‘eu’ para com um ‘objeto’ em que ele genuinamente acredita. Merval

A experiência religiosa é complexa do ponto de vista psicológico, envolvendo emoções, crenças, atitudes, valores, comportamentos, ambiente social. Ela transcende estas categorias psicológicas, e dá ao indivíduo um sentido de integridade.

PRESENÇA DA RELIGIÃO EM TODA A CULTURA HUMANA

Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra “ciência” social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes e técnicas.

Grande parte de todos os movimentos humanos significativos tiveram a religião como impulsor, diversas guerras, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa, estruturas sociais foram definidas com base em religiões e grande parte do conhecimento científico, “filosófico” e artístico tiveram como vetores os grupos religiosos, que durante a maior parte da história da humanidade estiveram vinculados ao poder político e social.

Hoje em dia, apesar de todo o avanço científico, o fenômeno religioso sobrevive e cresce, desafiando previsões que anteviram seu fim. A grande maioria da humanidade professa alguma crença religiosa direta ou indiretamente e a Religião continua a promover diversos movimentos humanos, e mantendo estatutos políticos e sociais.

Entre as muitas interpretações psicológicas do fenômeno religioso, salientamos as que nos parecem mais importantes:

a) Para Freud, a religião nada mais é do que a projeção infantil da imagem paterna. Ela é uma ilusão, não porque seja má em si, mas porque tende a levar o homem a fugir de sua realidade e contingência humanas. É uma neurose.

b) Para Jung, a experiência religiosa resulta do inconsciente coletivo, que, por sua vez, é composto de energias dinâmicas e de símbolos de significação universal. A experiência religiosa é fundamental ao funcionamento harmonioso do psiquismo e ajuda o homem a compreender realidades do universo que não podem ser conhecidas de outras maneiras.

Jung citou em sua vasta bibliografia:

“Gostaria de chamar a atenção para os seguintes fatos. Durante os últimos trinta anos, gente de todas as nações civilizadas da terra me tem consultado. Tenho tratado muitas centenas de pacientes, a maioria deles sendo protestantes, pequeno número de judeus e não mais de cinco ou seis católicos praticantes. Entre todos

os meus pacientes, na segunda metade da vida ­isto é, além de trinta e cinco anos de idade – nunca houve um sequer cujo problema não fosse, em última análise, o de encontrar uma interpretação religiosa para a vida. Pode-se dizer, sem medo de errar, que cada um deles adoeceu porque perdeu aquilo que a vida religiosa tem oferecido ao homem de qualquer época, e nenhum deles foi realmente curado sem haver readquiri do essa interpretação religiosa da existência. Isso, entretanto, não quer dizer que tais indivíduos fizeram profissão de fé em determinado credo ou que se filiaram a determinada igreja.” Carl G. Jung, Modern Man in Search of a Soul (translated by W. S. Dell and Cary F. Baynes), New York: HaI:court, Brace & vVorld, Inc. (1933). pll.g. 229.

Merval comenta que para Freud, religião nada mais é do que uma regressão à dependência infantil. Para Freud, Deus é apenas a imagem magnificada do pai.

“A psicanálise revelou-nos uma conexão íntima entre o complexo do pai e a crença em Deus e demonstrou-nos o seu Deus pessoal, não é, psicologicamente, senão uma superação do pai, ao descobrirmos inúmeros casos de indivíduos jovens, que perdem a fé religiosa tão logo cai para eles por terra a autoridade paterna. No complexo paterno-materno reconhecemos, pois, a raiz da necessidade religiosa” Obras completas Freud vol XI pg 67

O PONTO DE CONFLITO – O PONTO DE ATUAÇÃO DA PSICANÁLISE NO HOMEM

O ponto de conflito, ou seja, a dificuldade de aceitação da psicanálise pela maioria cristã se deve ao fato de que tanto a Bíblia quanto a psicanálise tratam da alma. Nisso reside o conflito. Para evitar contrariar os princípios bíblicos, os cristãos optam por evitar a psicanálise, atribuindo à fé no deus escolhido, a  responsabilidade de solução de todos os problemas psíquicos.

A psicanálise não é uma forma de fé ou crença, é uma ciência. Enquanto o analgésico propõe alivio para o corpo, a terapia propõe alivio para a alma, sendo uma ajuda para que aqueles vitimados por grande tensão emocional possam encontrar novamente o equilíbrio necessário para a vida em sociedade. Nem o analgésico e nem a psicanálise anulam a fé do indivíduo, pois não têm esse objetivo e nem essa capacidade.

O homem é material e espiritual, tanto na visão bíblica como filosófica.

A história da Psicologia ‘estudo da alma’ tem por volta de dois mil anos, a partir e através da filosofia grega, que surgiu em meados de 624 a.C. A Filosofia grega tem por Pai Tales de Mileto, astrônomo e Matemático.

Desde lá se iniciou a reflexão sobre o homem e sua interioridade, o que resultou na convicção de que o homem é biforme. Os filósofos pré-socráticos  definiam a relação do homem com o mundo através da percepção.

  • Sócrates: (470-399 a.C) : razão – teoria da consciência. Nascido em Atena, foi um dos principais pensadores da Grecia Antiga. Seus estudos e pensamentos iniciais tratavam sobre a essência da natureza  da alma humana. Postulava que a principal característica humana era a razão que permite ao homem sobrepor-se aos instintos. As teorias da consciência são frutos dessa primeira sistematização da Filosofia.
  • Platão 427 a 347 a.C : Filósofo grego nascido em Atenas, discípulo de Sócrates. Buscou definir um “lugar” para a razão no nosso corpo. Definiu este lugar como sendo a cabeça, onde se encontra a alma do homem. A teoria platônica postulava a imortalidade da alma.

…Já que a alma é imortal e já viveu diversas vidas, e já viu tudo o que se passa aqui e no Hades, não há nada que não tenha aprendido. Mênon 81 c/d . “diálogos socráticos” Platão

…no mundo inteligível é ela (alma) que dispensa e ocasiona a verdade e a inteligência, e que é necessário vê-la para se conduzir com sabedoria tanto na vida particular quanto na vida pública. (República: 517 b/c) – “diálogos socráticos” Platão

  • Aristóteles  384 a. 322 a.C. : O Filósofo Grego considerado o criador do pensamento lógico. Para esse discípulo de Platão, a psiché seria o princípio ativo da vida. Postulava que a alma e o corpo não podem ser dissociados. Afirmava a mortalidade da alma.

Pois a alma é, por assim dizer, o primeiro princípio dos seres vivos.

No caso da alma parece que todas as suas afecções pertencem a ela em união com o corpo, tais como a raiva, a timidez, o medo, a piedade, a esperança e até mesmo a alegria, o amor e o ódio. Pois em todos esses casos o corpo é afetado de alguma maneira. Aristóteles

  • Agostinho 354 a 430 dc : Já na Idade Média, a exemplo de Platão, Agostinho também fazia a dissensão entre alma e corpo. Para ele a alma não era somente a sede da razão, mas a prova de uma manifestação divina no homem. A alma era imortal por ser o elemento que liga o homem a Deus e também a sede do pensamento.

A verdade interior diz: “O teu Deus não é o céu. Nem a terra, nem nenhum corpo”. E a natureza de tudo isso exclama: “Vede que a matéria é menor na parte que no todo”. Por isso te digo, oh minha alma, que és superior ao corpo, pois dás vida à matéria de meu corpo, o que nenhum corpo pode fazer a outro, e o teu Deus é para ti vida de tua vida. Confissões. Agostinho

  • Tomás de Aquino  (1395 – 1455): Considera que o homem, na sua essência, busca a perfeição através de sua existência, afirmando que somente Deus seria capaz de reunir essência (alma) e existência (corpo), em termos de igualdade. A busca de perfeição pelo homem seria a busca de Deus.

…ainda que a alma tenha alguma operação própria da qual o corpo não participa, como a intelecção, há, não obstante, algumas operações comuns a ela e ao corpo, como temer, irar-se, sentir, etc. Ora, essas operações realizam-se segundo alguma mudança de determinada parte do corpo, donde se depreende que as operações da alma e do corpo são conjuntas. Logo, é necessário que da alma e do corpo se faça um todo uno, e que não sejam diversos quanto ao ser .  T. de Aquino

  • René Descartes (1596-1650) Descartes contribuiu para o avanço da ciência. Segundo ele, o homem se compõe de corpo e alma, e sendo o corpo, por definição, material e extenso, e a alma, espiritual e pensante. Como o corpo era considerado sagrado pela igreja por ser a sede da alma, este dualismo ‘mente-corpo’ tornou possível o estudo do corpo humano morto, possibilitando o avanço da Anatomia e da Fisiologia.

…de sorte que esse sou eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinto do corpo e, mesmo, que é mais simples de conhecer do que ele; e ainda que ele nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é. (discurso sobre o método, V Parte) René Descartes

A natureza da alma segundo a bíblia.

É o princípio da vida orgânica e animal. Ela orienta a vida do corpo, e por meio dela se estabelece o contato com o mundo em redor através dos sentidos. É na alma que se encontram a imaginação, o entendimento, a memória, a razão e a afeição. É preciso saber que o corpo sem a alma é inerte. As faculdades da alma podem ser dispostas em três grupos:

Faculdades intelectuais: Capacidade de julgar, recordar, imaginar e raciocinar. Gn 41:9; Ec 12:1; ICo3-4

Faculdades Sensitivas: Capacidade de sentir prazer, dor, ira, amargura, aflição e tristeza. IPe1:8; Lc2:35, Tg 1:19-20, Hb 12:15, Rm 2:4

Faculdades volitivas: Capacidade de escolher, rejeitar, desejar e aborrecer. Sl 107:18; 77:2; Dt12:15; IPe 1:22

Segundo a bíblia, a alma tem atividades espirituais: Com a alma o homem engrandece a Deus – Lc1:46; ama a Deus Mt22:37; louva a Deus Sl 146:1; peca contra Deus Ez 18:4.

 

A ALMA COMO PONTO DE ATUAÇÃO DA PSICANÁLISE.

A psicanálise, portanto, atua na alma, na sede das emoções do homem.

Quando contaminado pela amargura ou ferido de alma, em decorrência de acontecimentos indesejáveis e inesperados, um cristão poderá encontrar dificuldades para manter-se em equilíbrio.

Valendo-se das escrituras e das teorias psicanalíticas, qualquer cristão poderá concluir que a psicanálise não tem como prioridade contrariar a Deus e nem a Bíblia, mas contribuir para o bem estar da humanidade. Ela ‘não cura’, mas traz o material que são as informações da história da paciente, em forma de trauma ou recalque para que o paciente busque a cura para si. Então, a psicanálise constitui-se uma excelente ferramenta, que bem utilizada produz grandes resultados

A vida cristã não anula o aspecto natural, e para trabalhar, estudar, enfim, cumprir deveres de cidadão, nenhum cristão precisa deixar de ser espiritual.

O meio cristão precisa olhar para a psicanálise desejando descobrir o que ela tem de bom e não para buscar argumentos para colidir com ela. Atualmente os profissionais das diversas psicologias existentes, atuam e contribuem muito na área empresarial, educacional, governamental e profissional, tendo o respeito da sociedade em todas as suas camadas.

Se a religião trabalha ‘no homem’, a psicanálise trabalha ‘com o homem’, ficando claro que a psicanálise não pretende arruinar a fé do cristão como alguns sugerem, mas servir-lhe, enquanto sujeito, cidadão, profissional, estudante, pai, filho, etc.

Como muitas neuroses têm um condicionamento religioso, Jung ressalta nos ensaios sobre “A relação entre a Psicoterapia e a Pastoral” e “Psicanálise e Pastoral” a necessidade da colaboração entre a psicologia e a Teologia.

“…considero minha tarefa mostrar que a Psicologia, ou melhor, o ramo da psicologia médica que represento, tem a ver com a religião ou pode dizer sobre a mesma. Visto que a religião constitui, sem dúvida alguma, uma das expressões mais antigas e universais da ALMA humana, subentende-se que todo tipo de psicologia que se ocupa da estrutura psicológica da personalidade humana deve pelo menos constatar que a religião, além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos. Pg 7

o sacramento é uma instituição divina que Deus não teria estabelecido, se não tivesse a intenção de mantê-lo” pg 10 – Jung –Psicologia e religião.

Merval comenta que para Freud, o amadurecimento emocional do homem torna a religião desnecessária. A mente madura não necessita dos subterfúgios da religião: enfrenta a realidade objetivamente.

 “Quando digo que isso são ilusões, é preciso limitar a significação da palavra. Uma ilusão não é o mesmo que um erro, não é necessariamente um erro. A religião é uma ilusão no sentido de que ela procura ocultar a realidade da vida. Isto é, ela ilude o homem e o faz recorrer a fantasias, ao invés de enfrentar objetivamente as realidades da vida. Assim, chamamos a uma fé ilusão, por isso que na sua motivação há recalcada a satisfação de um desejo, a abstração das relações com a verdade e, tal como na ilusão, há renúncia à comprovação’. Freud Id IBID, X pg 35,36

A BÍBLIA E A PSICANÁLISE

Há mais de vinte anos interesso-me pelo estudo tanto da teologia quanto da psicologia. Descobri que cada uma dessas disciplinas ajuda a aprofundar meu entendimento da outra. Fico sempre admirado ao constatar como os pontos de concordância entre os princípios espirituais e os emocionais podem favorecer a saúde tanto emocional quanto física. Mark W. Baker

O principal propósito da Bíblia é revelar Deus e seu plano de salvação à humanidade, enquanto a psicanálise tem o propósito principal de ajudar o homem à ‘se entender’.

A Bíblia dá informações sobre o homem revelando suas dificuldades em lidar com os problemas do cotidiano, e ainda deixa claro que a saúde psíquica é muito importante para que a palavra surta efeito real. Em Rm 12:2, Paulo fala que a transformação depende da ‘renovação da mente’.

Como o homem é ser pensante, tudo o que se relaciona à fé se processa na mente, pelo entendimento. No âmbito espiritual, o Espírito convence o homem do seu pecado, levando-o a reconhecer o seu pecado. No âmbito natural, a psicanálise atua levando o homem a refletir sobre suas ações e decisões, até mesmo no que tange à sua relação com a igreja.

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO PSICANALÍTICO POR PARTE DOS CRISTÃOS

1ª A psicologia da religião precisa alcançar respeito científico.

W. H. Clark fala dos três maiores obstáculos para que a psicologia da religião alcance o respeito científico no campo da psicologia.

  • 1 – A complexidade do comportamento religioso. É difícil chegar a informações claras e específicas a respeito do comportamento religioso.
  • 2 – Inadequado treinamento científico por parte do erudito religioso. Geralmente os teólogos tem muitos recursos para especulações teóricas adquiridas em seminários e lhes falta critérios para observações por métodos empíricos, ou seja,  baseado na experiência. Ex.: Analisar  a desconectividade de alguém que afirma crer em algo que afirma ser benéfico, mas sem evidências práticas.
  • 3 – Interesse eclesiástico que trata a experiência religiosa como algo privado e íntimo. Muitos pensam que a experiência religiosa é demasiadamente sagrada para ser exposta ao estudo objetivo de um observador. Talvez pensem que tal estudo profanaria o sagrado.

2 – Nem sempre o problema que é apresentado por alguém é o real problema.

3 – A religião pode ser uma fuga da realidade.

Em o Futuro de uma Ilusão, Freud defende a tese de que a religião é uma espécie de ilusão, não necessariamente porque seja errada, mas porque leva o homem a evitar a dura realidade de suas próprias limitações humanas.

4 – O problema da Vocação religiosa

Entre os candidatos ao ministério em vários seminários teológicos e faculdades de teologia dos EUA, Richard Niebuhr (Pr. Presbiteriano) e seus colaboradores encontraram pelo menos dez tipos com características peculiares. São elas:

  • O coagido Seus pais ou outras pessoas influentes de sua comunidade acharam que ele devia ser ministro religioso.
  • O perturbado Que é o estudante que veio ao seminário por causa de sérios conflitos emocionais e lutas interiores.
  • O manipulador Que veio ao seminário porque julga encontrar no ministério religioso certas vantagens. Uma carreira, um palco. Oportunistas que podem permanecer e ainda ser ‘bem sucedidos’.
  • O pregador nato Que vem ao seminário apenas para satisfazer a uma exigência de sua denominação. É reconhecido da igreja, porém, não  da denominação ou instituição.
  • 5 .O protegido Que desfruta os benefícios da comunidade teológica, porém, muitas vezes, ele a usa como trampolim para sua ascensão social.
  • 6 .O zeloso Tipo que vê na religião um elemento de grande valor que deve ser comunicado ao próximo. Entusiasmo.
  • 7. O intelectual Tipo que ama os debates acadêmicos e odeia o lado prático dos estudos teológicos.
  • 8. O humanitário Vê em sua vocação religiosa uma oportunidade de servir ao semelhante. Geralmente descobre que a igreja institucionalizada não se interessa em atacar os males da sociedade, então ele se desilude e se dedica à área social ou fica frustrado na igreja.
  • 9. O confuso Que não sabe exatamente qual sua missão, porém espera encontrar no ministério alguma resposta para a confusão moral e espiritual em que o mundo se encontra. Tudo o que querem é ser fieis a Deus e realizar algo que dê sentido à vida.
  • 10. O maduro Que sabe o que quer e exatamente qual a sua missão a cumprir.

5 – Há pessoas propensas à doenças na igreja .

Anton Boisen – Estudou e ensinou em universidades dos EUA, onde se interessou pelos estudos da psicologia da religião. Pastoreou igrejas rurais e, durante a segunda guerra mundial, trabalhou no exterior com a Associação Cristã de Moços. De volta aos EUA,  começou a escrever sobre a sua experiência religiosa. Foi aí que se viu possuído de uma idéia de catástrofe mundial em que ele mesmo estava envolvido. Esta crise o levou para um hospital de doentes mentais o seu diagnostico era esquizofrenia catatônica. Ao recuperar-se, dedicou-se à capelania hospitalar.

6 – Fanatismo religioso – WILLIAM JAMES (1902/1958) fez distinção entre o santo e o fanático.

Para o primeiro, a personalidade é integrada, a motivação religiosa é o bem estar dos outros, e a intenção consciente é fazer o bem.

Quando se torna compulsiva, baseada em culpa, resulta em abandono da vida, narcisismo, o resultado é o fanatismo.

Algumas características do indivíduo dominado pela religião são:

a. Consciência restrita e insensibilidade a sentimentos;

b.Codependência (é quando uma pessoa tem um forte desejo de controlar as pessoas à sua volta, incluindo o seu cônjuge, filhos ou colegas de trabalho.)

c. Passividade ou atuação sexual quando não consegue viver de acordo com as expectativas;

d. Não manter responsabilidades conjugais e filiais;

e. Pensamento rígido, preconceito e discriminação contra qualquer um que não tenha as mesmas crenças.

f. Exigência de aceitação cega, para que outros se conformem às suas crenças

g.  Vontade de lutar muito por alvos que parecem impossíveis de serem atingidos;

h. Lealdade e compromisso radical à causa e a seus alvos;

i. Doação dos bens materiais

j. Isolamento e rejeição de valores, hábitos e associações, incluindo família e amigos.

7 – Porque a religião interfere na criação dos filhos

Ao nascer, a criança torna-se parte do ambiente social e cultural de determinado grupo, que geralmente possui uma religião, que a princípio será assimilada pela criança.

É no lar que a criança encontra a capacidade e a possibilidade de crer – o que Erik Erikson chama de  “confiança básica”

A relação da criança com os pais tem grande influência no seu conceito de deus e na qualidade da vida religiosa

Ex.: A instituição às vezes é quem causa a ausência dos pais no lar, e isso se faz ‘em nome de Deus e sua obra’. A criança fará  seguinte avaliação. Religião não é boa por porque tira o pai do filho.

Ex.: Missionário contou sobre revolta dos seus avós por causa da sua fé,  visto que os ingleses bombardeavam suias vila e fazil o sinal da cruz com a fumaça dos aviões.

8 – Por causa da forma que a igreja trata os questionadores

A dúvida deve ser vista como parte integrante da evolução psicológica do homem. “se o homem não pode duvidar, não precisa crer” Merval.

Afirmar que dúvida é falta de fé, inibe o desenvolvimento da maturidade do indivíduo e ‘pode’ desanimá-lo ao ponto de desviar-se.

Disse Merval:

A fé não mata ninguém, isso faz a crença institualizada, que, por sua natureza superficial, não é capaz de nos levar a amar o próximo como a nós mesmos. Merval

Porque muitos desviam da fé?

  • Motivos banais como usos e costumes
  • Afirmações de que Deus fez o que não fez; dizer que Deus fará coisas que não garantiu. Evangelho de promessas que frustra.
  • Varias formas de decepção com lideranças.
  • Hipocrisia
  • Quando descobre que integra uma massa de manobra
  • Quando a igreja quer evitar que humanos sejam humanos, mas impõe-lhes a ordem de serem mega espirituais.
  • Culpa que a graça de Deus ‘não pode perdoar’, etc

9 – A fuga constante da culpa – É preciso assumir a responsabilidade, e não responsabilizar O ALTÍSSIMO.

O PROBLEMA DE PROJETAR EM DEUS A PRÓPRIA CULPA.

Ex.  DEUS ME FEZ ASSIM… FAZER O QUE..        DEUS PERMITIU ISSO… ELE SABE O QUE FAZ…

 

10 – IMATURIDADE RELIGIOSA

Da mesma forma que um homem pode atrofiar-se no processo do seu desenvolvimento físico e mental, isso também pode ocorrer na sua experiência religiosa.

A maturidade religiosa  sempre estará atrelada à maturidade emocional.

Jesus amou, sentiu raiva, experimentou o medo, chorou de tristeza e viveu com coragem. Ele sabia quem era e agia motivado pelo que sentia, mesmo que isso não fizesse um sentido lógico para os outros.

11 – A igreja é uma comunidade terapêutica em potencial

A religião desempenha importante papel no desenvolvimento da personalidade e pode contribuir no equilíbrio das funções psíquicas do homem.

Acredita-se que os primeiros psicoterapeutas foram ministros religiosos.

Na mitologia grega havia uma Deusa chamada HIGEIA, Deusa da saúde. Muitos templos foram erguidos a essa deusa, e funcionavam como hospitais. Alí se praticava a ‘incubação’.Os pacientes ficavam no templo para dormir, esperando a cura ou uma revelação sobre a forma de tratamento a ser feito.

Durante o sono um sacerdote sugestionava aos ouvidos do paciente, que previamente havia sido instruído a assumir certa atitude mental. Com isso, por meio dessa sugestão religiosa. Várias enfermidades eram curadas, principalmente as de cume emocional.

12 – Doenças mentais e possessão

Desde a idade da pedra o homem se preocupa com ‘doenças mentais’. Quando alguém apresentava anormalidades de comportamento ou convulsões, dores de cabeça, etc, o ‘médico’ da época perfurava com equipamentos primitivos e crânio do enfermo (trepanação), crendo e esperando que, através do orifício o demônio ou mau espírito, causador da doença, saísse para a cura do paciente.

Davi, talvez tenha tirado proveito dessa crença popular para escapar de Aquis, rei de Gate. ISm21:12-14

10 E Davi levantou-se, e fugiu aquele dia de diante de Saul, e foi a Aquis, rei de Gate.

11 Porém os criados de Aquis lhe disseram: Não é este Davi, o rei da terra? Não se cantava deste nas danças, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares?

12 E Davi considerou estas palavras no seu ânimo, e temeu muito diante de Aquis, rei de Gate.

13 Por isso se contrafez diante dos olhos deles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas de entrada, e deixava correr a saliva pela barba.

14 Então disse Aquis aos seus criados: Eis que bem vedes que este homem está louco; por que mo trouxestes a mim?

15 Faltam-me a mim doidos, para que trouxésseis a este para que fizesse doidices diante de mim? Há de entrar este na minha casa?

 

 

Quando o espírito era considera mau, praticava-se o exorcismo, através de orações, purgativos, ou simplesmente com barulho. Em casos mais graves usava-se:

I.            Jejum forçado, até que o indivíduo ficasse bem fraco.

II.            Agressão física (até o demônio sair)

III.            Colocar a pessoa em posição extremamente desconfortável

NA idade média, era comum o uso do MALEUS MELEFICARUM (O Martelo das Feiticeiras) Manual de tratamento para possessões usado por católicos e protestantes.

O surgimento de técnicas terapêuticas e científicas para lidar com os problemas mentais chocou a CLASSE RELIGIOSA TRADICIONAL, QUE INSISTIA QUE TUDO ERA ESPIRITUAL.

13 – As igrejas recebem constantemente pessoas com distúrbios mentais

O prof. Wayne investigou o papel da religião nas doenças mentais no Sudeste de Kentucky.

  • 17,2% —–conflitos devido à rebelião ou submissão do indivíduo à crença de seus pais. Para os tais a religião é nociva.
  • 10,3%—–religião usada como último recurso para solução de problemas dificílimos e para justificação de falhas nas relações e falta de controle próprio.
  • 20,5%—–condição psicótica vestida de idéia religiosa.
  • Em 51,5%, não havia sequer revelação de interesse religioso.
  • Em suma, ficou evidenciado que em 72% dos casos não havia relação entre religião e doença mental, ou seja, as pessoas já doentes foram para a religião em busca de cura ou apoio.
  • Ficou constatado que a maneira como a religião é ensinada determina grandemente a rejeição, aceitação ou os conflitos emocionais causados na vida do indivíduo.

 

14 – A Igreja pode causar distúrbios ou melhorar a vida psíquica das pessoas.

Leslie Dixon Weatherhead  – Teólogo Inglês – apresenta atitudes religiosas que podem resultar em distúrbios mentais.

1 – Usar a religião para fuga da realidade. Mecanismo de defesa.

2 – Usar a religião para sentir segurança. (vela, lenço, profecias, unções, etc).

Marx, Hegel e outros filósofos e sociólogos apontaram a religião como o ópio do povo, ou seja , o entorpecente que conserva o indivíduo fora do contato da realidade.

Nero oferecia ao povo o ópio do circo (espaço p/ cultura) – Efeitos inibidores como o ópio do futebol – ópio das promessas (fome zero)

3 – Usar a religião como caminho de fuga das conseqüências dos erros cometidos pelo indivíduo.

Ex. de Zaqueu. -Tudo se fez novo, mas ele correu atrás para corrigir o que poderia do seu passado corrupto.

Ore a Deus e tudo certo!!! E as relações horizontais, como ficam? O alívio momentâneo pode ser efeito narcótico que nada mais é que uma neurose.

4 – Usar a religião para aparentar santidade narcísica e egoísta.

5 – Opressão religiosa – Onde se apresenta um deus carrasco.

14 – Algumas conversões têm raízes patológicas

(Patologia vem do grego páthos, doença, e lógos, estudo, tratado. Etimologicamente, portanto, significa estudo das doenças)

Da perspectiva psicanalítica, práticas religiosas patológicas advêm de conflitos da infância não resolvidos
(FITZGIBBONS , 1987; MEISSNER 1984).

Os sistemas de crenças podem ser o veículo para a expressão de tendências e necessidades neuróticas.
Os seguintes estilos são encontrados:

• O modo obsessivo: Na esfera religiosa, a pessoa apresenta dogmatismo e dúvida, relacionados à atenção rígida e estreita da consciência obsessiva.

Têm dificuldade de adquirir novas informações, ignoram aspectos contraditórios ou questionáveis, mas detalhes que são insignificantes aos olhos dos outros dão origem a dúvidas.

A experiência religiosa gira em torno da culpa, vivem diante da compulsão da necessidade moral. Regras, regulamentos e convenções tornam-se as normas que guiam decisões e comportamentos.

• O modo histérico: esta característica de personalidade torna a pessoa facilmente reativa à influência do sistema de crenças. Estas pessoas são atraídas aos aspectos mais emocionais e irracionais da experiência religiosa: Certos cultos fundamentalistas, grupos carismáticos, ou formas exóticas de envolvimento religioso, que enfatizam a experiência emocional intensa, êxtases, transes, comportamentos bizarros e dissociativos.

As questões conceituais e doutrinarias não parecem relevantes, e pouco peso é atribuído à dimensão intelectual ou racional do sistema de crenças.

Ficam desconcertados diante de qualquer questionamento ou desafio acerca da validade, integridade ou autenticidade do sistema.

• O modo depressivo-masoquista:

Só são amados por deus se estiverem sofrendo; o preço do amor é o sofrimento. O poder esta fora do indivíduo, em um deus onipotente que inflige dor e sofrimento como sinal de amor, sendo que a submissão a este fardo é o preço da salvação.

A sensação de falta de valor e inferioridade com a convicção religiosa do próprio pecado e maldade.

O deus é julgador e condenador.

O sofrimento assume a posição central da vida religiosa

• O modo narcisista: acham que ocupam uma posição privilegiada na instituição religiosa, ou que são especialmente abençoados e favorecidos por deus. Acham que toda a verdade e bondade está no seu grupo religioso, e que estas faltam nos outros. Poder e um status especial são conseguidos através da aliança com deus, e deus está do nosso lado.

Acham que, por isto, estão protegidos de todos os infortúnios e, quando algo acontece, a reação é depressiva e de desilusão.

Patologia narcisista pode tomar a forma de inferioridade e desvalorização – a crença de que se é sem valor, pecador, não amado por deus, e não merecedor de qualquer favor ou consolação, que falharam em cumprir seus deveres religiosos.

Clinicamente, isto se manifesta através de depressão, auto-estima pobre e sensação de vergonha, o que mascara uma superioridade narcísica.

• O modo paranóide:

(Psicose caracterizada por um orgulho exagerado, egoísmo, suscetibilidade, desconfiança e mania de perseguição)

Tendem a aderir a crenças religiosas convencionais e mantêm uma atitude de submissão sem crítica a figuras de autoridade idealizadas (sacerdotes, pastores, rabinos, bispos, papa) e são excessivamente críticos aos que são de fora, ou que rejeitam ou violam os seus padrões.

Envolvem-se freqüentemente em argumentos e discussões acerca de assuntos religiosos. Quem tem visão oposta torna-se o inimigo, que deve ser atacado e derrotado. Idealizam e exaltam os líderes, defendendo suas faltas, mesmo que estas sejam óbvias.

Estas características são evidentes em aderentes fanáticos de cultos e seitas, onde a obediência cega a um líder faz parte da dinâmica do culto. A experiência religiosa é governada mais por ódio que por amor.

Ao contrário do masoquista, renunciam ao amor pelo poder.

Nas igrejas e particularmente em seitas e cultos totalitários pode ocorrer disciplina excessiva, manipulação, intimidação, liderança autoritária e controle de informação.

O papel do terapeuta não é julgar as crenças religiosas dos seus pacientes, mas é necessário reconhecer compromissos religiosos patológicos ou com aspectos mal adaptados, e ajudá-los a lidar com essas aflições.

Se pudermos nos aproximar do paciente religioso com respeito às suas necessidades e lutas com as vicissitudes da existência humana, e com reverência pelas crenças que guiam suas vidas e esperanças, poderemos usar nossas habilidades terapêuticas mais efetivamente para torná-los capazes de levar uma vida religiosa mais satisfatória e plena.

15 – A religião pode ser útil ou não

A religião pode auxiliar uma pessoa a superar suas dificuldades e estresse, e é esperado que os profissionais de saúde mental levem a sério a religião de seus pacientes. Malony, H. Newton resume os resultados de seus trabalhos:

“nosso trabalho encontrou uma relação positiva entre religião e saúde mental’’

Segundo MALONY (1994), há cinco maneiras do terapeuta utilizar os resultados da avaliação do modo de ser religioso do paciente durante o tratamento:

• Não levar em consideração – esta opção assume que a religião funcional de uma pessoa é tão fraca ou mau formada, não tendo nenhum impacto, não podendo ser utilizada no tratamento.

• Aniquilar – assume que a religião funcional da pessoa é completamente destrutiva, é parte da patologia e impede o tratamento. Isto não deve ser feito com base na opinião pessoal do terapeuta.

• Corrigir – Esta correção também não deve ser baseada na opinião do terapeuta, mas em uma avaliação objetiva. A religião, apesar de não fazer parte da vida do terapeuta, pode ser utilizada no tratamento, assim como outros recursos, interesses e valores do paciente.

O terapeuta pode não concordar, mas eles devem ser identificados, respeitados e trazidos para o tratamento.

Corrigir significa ajudar o paciente a se conformar mais efetivamente às normas de sua própria fé religiosa, com o pressuposto que isto conduzirá a um maior nível de satisfação pessoal, menos conflitos internos, maior aprovação social e melhor ajustamento. Por exemplo, facilitar a participação do cliente nas atividades organizadas de sua religião, ajudá-lo a ficar mais consciente de deus e de temas de justiça social; aceitar a graça incondicional e o amor de deus, tornando-se menos crítico em relação às suas próprias falhas, sendo capaz de perdoar a si mesmo; experimentar comunhão com outras pessoas, tornando-se menos desconfiado ou menos crítico em relação a outros.

• Reinstalar – assume que a religião funcional é potencialmente benéfica, mas está dormente, não está operando de maneira consciente, devendo ser tornada explicita, consciente e intencional. Requer apoio e reasseguramento para se tornar operacional e ativa.

• Encorajar – implica que a religião funcional de uma pessoa é adequada, ativa; é um fator de fortalecimento que deve ser apoiado e aperfeiçoado.

A religião deve dar ao homem sentido de unidade com o universo. Se não encontrar essa unidade na religião, ele a buscará em outras fontes.

– A religião pode oferecer motivação para a vida

– a religião pode ajudar o homem aceitar-se

– torna possível a experiência da confissão

– oferece estabilidade emocional em tempos de crise

– oferece ao homem uma comunidade terapêutica.

16 – A igreja cristã precisa demonstrar maturidade perante a sociedade

“Para alguns que confiavam em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os outros…”Lucas 18:9

Psicoterapeutas precisam entender os preconceitos dos pacientes religiosos. No entanto, vários psicoterapeutas também estão precisando de ajuda com relação aos seus próprios preconceitos contra a religião.

A arrogância que nos leva a acreditar que somos superiores aos outros tem origem no medo de sermos inferiores.

 

FREUD EXPLICA
Psicanálise – algumas teorias que explicam o comportamento do religioso

TEORIA DA PERSONALIDADE

ID EGO SUPEREGO

  • ID – Princípio do prazer – Impulsiona o indivíduo a buscar o prazer e a fugir do que incomoda. (clube, festas, academia, etc) – Quando nascemos só há o ID.
  • EGO – Princípio da realidade – Trabalha com a realidade. Nele reside os conflitos psíquicos como: posso fazer, vou conseguir? Medo do fracasso, culpa, etc. Ele filtra os desejos do ID. O Ego se forma quando a criança vai recebendo as imposições da realidade que não permite que todos os seus desejos sejam atendidos.
  • SUPEREGO – Princípio da moralidade – Trabalha com as informações que recebo do exterior, dos pais, da sociedade da religião etc. Nele residem as crenças básicas, política e idealismos. O superego precisa ser equilibrado. Nem frouxo nem rígido.

1º Exemplo.

O Id – quer o celular

Superego – Não pode dar cheque sem fundo

Ego – e se conseguirmos um prazo, parcelamento ou empréstimo?

O Id e o Superego estão sempre fortalecidos, e o trabalho do ego cada vez mais pesado.

O Ego frágil pode levar uma pessoa a matar por coisas banais.

2º Exemplo. (Cartinha)

Mãe – Feliz aniversario, que Deus te ilumine e te guarde.

Muito obrigado por você nunca me deixar só ou triste, também te agradeço por todas as coisas que você fez, faz e sempre fará por mim. Muito obrigado. Eu te amo no fundo do coração.

Sempre quando você vai trabalhar meu cérebro fica assim, o meu id diz:” eu quero ver minha mãe agora.” Meu superego já diz: “não posso vela por que ela esta trabalhando.” E o meu ego diz “não posso vela agora mesmo morrendo de saudades mas posso ligar pra ela e dizer, mamãe eu te amo.”

 

BASES DA PSICANALÍSE CLÍNICA

SUBJETIVIDADE

ž A matéria prima da Psicologia é o homem em todas as suas expressões, as visíveis (nosso comportamento) e as invisíveis (nossos sentimentos), as singulares (porque somos o que somos) e as genéricas (porque somos todos assim) – é o homem-corpo, homem-pensamento, homem-afeto, homem-ação e tudo isso está sintetizado no termo subjetividade.

ž A subjetividade é a síntese singular e individual que cada um de nós vai constituindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiências da vida social e cultural.

ž É o mundo as idéias, significados e emoções construído internamente pelo sujeito a partir de suas relações sociais, de suas vivências e de sua constituição biológica. A subjetividade é, também, fonte de suas manifestações afetivas e comportamentais.

ž A síntese que ela representa não é inata ao indivíduo. Ela se constrói aos poucos, apropriando-se do material do mundo social e cultural, e faz isso ao mesmo tempo em que atua sobre este mundo, ou seja, é ativo na construção. Criando e transformando o mundo (externo), o homem constrói e transforma a si próprio.

 

LIBIDO

Libido (Latim) – (“desejo” ou “anseio”). É a iniciativa de procurar o prazer onde quer que ele se encontre. É caracterizada como a energia aproveitável para os instintos de vida Freud afirma sobre a Libido que:

“Sua produção, aumento ou diminuição, distribuição e deslocamento devem propiciar-nos possibilidades de explicar os fenômenos psicossexuais observados” (1905a, livro 2, p. 113 na ed. bras.).

Quando há diminuição considerável da libido, o indivíduo sofre alterações  comportamentais concernente à vida sexual, onde há queda do apetite e do desempenho sexual.

Vários fatores podem contribuir para a diminuição da libido, entre eles podemos citar: excesso de trabalho, baixa auto-estima, rotina, enfermidades,  stress, depressão, ansiedade, alguns medicamentos e bebidas alcoólicas, etc

Jung quis dizer com a libido, em geral, toda a energia mental de um homem. Ao contrário de Freud, Jung considera que esse poder como semelhante ao conceito do Extremo Oriente do chi ou prana (hinduísmo), ou seja, uma energia vital – como um esforço geral para alguma coisa.

Alguns medicamentos, e muitas drogas provocam alterações na libido. Um aumento patológico da libido é também conhecido como vício do sexo ou ninfomania/satiríase.

Ninfomania (em mulheres) ou Satiríase (em homens) é o acto de espontaneamente apresentar um nível elevado de desejo e de fantasias sexuais , aumento de frequência sexual com compulsividade ao ato, controle inadequado dos impulsos  e grande sofrimento. Também pode ser chamada de Desejo Sexual Hiperativo (DSH)

A libido apresenta uma característica importante que é a sua mobilidade, ou a facilidade de alternar entre uma área de atenção para outra.

No campo do desejo  sexual está vinculada a aspectos emocionais e psicológicos

Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos:

A libido sciendo = desejo de conhecimento,

libido sentiendidesejo sensual em sentido mais amplo,

e a libido dominendi,desejo de dominar.

 

NEUROSE – Recalque/repressão .

Neurose(do grego neuron (nervo) e osis (condição doente ou anormal) foi criado pelo médico escocês Willian Cullen em 1787para indicar “desordens de sentidos e movimento” causadas por “efeitos gerais do sistema nervoso”.)

Também conhecida como psiconeurose ou distúrbio neurótico, neurose é um termo que se refere a qualquer desequilíbrio mental que causa angústia e ansiedade, porém, ao contrário da psicose e algumas outras desordens mentais, não impede ou afeta o pensamento racional. Caracteriza-se por uma disposição à angústia e crises de angústia.

É uma doença emocional, afetiva e de personalidade e acontece quando o sistema nervoso de uma pessoa reage com exagero a uma determinada experiência já vivida.

Uma pessoa neurótica passa a ter reações e comportamentos diferentes: fica muito ansiosa, evita sair de casa para ir a determinados lugares, tem medo de certas situações, imagina situações que pode fazer mal, ficam deprimidos mais constantemente, são mais preocupados… em fim, uma pessoa neurótica sente tudo o que uma pessoa normal sente no seu dia-a-dia mas sempre exageradamente.

Em geral uma pessoa neurótica sabe do seu problema, sofre com isso mas se sente incapaz de solucioná-lo.

Há vários tipos de neurose

Neurose atual: O portador dessa neurose, é alguém constantemente insatisfeito com praticamente tudo, por não sentir prazer nem contentamento naquilo que faz no presente, seja no âmbito profissional, afetivo ou social. O reflexo disso é um mal persistente, que gera além do desprazer pela vida, perturbações de âmbito somático.  A satisfação pra ele, é momentânea, como um vapor que logo se esvaece. O que o faz estar quase sempre cansado, mesmo não havendo motivos para isso, e também a sentir dores não justificadas pelo corpo.

Neurose de abandono: É identificada essa neurose, em alguém que busca se apoiar em outras pessoas, para obter segurança, ou que manifestam um certo “desespero ao sentirem-se sós”. Dependem de outros, para que se sintam seguras ou não se sintam abandonadas. Por mais rodeado de pessoas que esteja, ainda pode sentir-se só, pois não basta ter alguém por perto, é preciso que esse alguém transmita uma fidelidade profunda, independente da natureza dessa relação que existe.

Neurose de desemprego: Essa neurose, como sugere sua classificação, é causada em ocasião do desemprego. Ao sentir-se descartável e desvalorizado, e ainda, antiquado e despreparado, o profissional é tomado por um desinteresse e fica indiferente quanto às questões, que  até então lhe eram importantes. É como se o profissional, se deixasse convencer que é inútil e inferior, se rendendo então, ao admitir isso. Ex: Agricultor e as máquinas / Cobrador de ônibus e a roleta eletrônica.

Neurose dominical. Porta essa neurose, a pessoa que tem o trabalho e a profissão como “o todo” de seu viver, ou então, como forma de escape e esconderijo dos demais aspectos da vida. O feriado, o domingo, e todo tempo disponível para o lazer e a família, são sinônimos de vazio e desprazer. Considera-se então, neurótico dominical, aquele que por via de regra não consegue se desprender mental e/ou fisicamente do trabalho. Seja por mal habito adquirido pelas trucidantes forças sócio-circunstanciais, ou pela constante fuga dos problemas emocionais não resolvidos. A companhia dessa pessoa é marcante pela falta de assunto, estresse e apatia que apresenta pelas coisas mais simples e importantes, como, alguns minutos brincando com os filhos ou de “bater papo” com a esposa e/ou amigos. Ele só tem prazer no trabalho.

DEPRESSÃO

– Uma neurose exemplificada na bíblia

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Sl 42.5

Depressão é: Emoção desagradável; abatimento moral ou físico; redução da vitalidade funcional; desinteresse;

A depressão é uma doença “do organismo como um todo”, que compromete o físico, o humor e, em conseqüência, o pensamento. A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.
A Depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar na “fossa” ou com “baixo astral” passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.

Há vários sintomas como: tristeza, perda de energia, insônia, pessimismo, medo, sentimento de culpa, vergonha, desamparo, perda de interesse na área profissional, sexual e atividades usuais, apetite,

Tonturas – dificuldade respiratória – pressão no peito –  acidez estomacal, etc.

Exemplos bíblicos de quadro ou estado depressivo.

Números 11 – Moisés

11 E disse Moisés ao SENHOR: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o cargo de todo este povo?

12 Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? para que me dissesses: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais?

13 De onde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer;

14 Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim.

15 E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver o meu mal.

IReis 19.4 – Elias.

4 Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.

Jeremias 20. 14-18

14 Maldito o dia em que nasci; não seja bendito o dia em que minha mãe me deu à luz.

15 Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho; alegrando-o com isso grandemente.

16 E seja esse homem como as cidades que o SENHOR destruiu e não se arrependeu; e ouça clamor pela manhã, e ao tempo do meio-dia um alarido.

17 Por que não me matou na madre? Assim minha mãe teria sido a minha sepultura, e teria ficado grávida perpetuamente!

18 Por que saí da madre, para ver trabalho e tristeza, e para que os meus dias se consumam na vergonha?

CHISTE.

Chiste é uma palavra de origem alemã (Witz), que significa “gracejo”. A palavra chiste é encontrada na obra de Freud , que define o chiste como uma espécie de válvula de escape de nosso inconsciente, que o utiliza para dizer, em tom de brincadeira, aquilo que verdadeiramente pensa.

Freud também defendia que os chistes relacionados ao sexo e à obscenidade, sugerem exibicionismo. Cabe ao psicanalista investigar o chiste e não se ofender ou ignorar o paciente e o chiste por ele exposto

FOBIA

Fobia (do latim phobia) é um medo intenso e irracional que resulta em evitamento consciente do objeto, atividade ou situação específica temidos. É um distúrbio psicológico que pode ser compreendido como “uma espécie particular de medo”. Um fóbico muita tem dificuldade além do normal de confrontar aquilo que teme, ou seja, evita o objeto ou situação fóbica

Entre outros, os sintomas da fobia podem ser:

a) Medo desproporcional entre a fobia e a situação ou objeto causador

B) A exposição ao estímulo fóbico provoca reação imediata de ansiedade, onde o indivíduo deixa de ter controle voluntário podendo sofrer um Ataque de Pânico.

C) O objeto ou a situação gera medo sem explicação razoável onde o indivíduo o evita ou o tolera com intensa ansiedade.

D) A pessoa reconhece seu medo como excessivo ou irracional.

E) O medo interfere significativamente na rotina normal da pessoa.

Não se deve confundir ansiedade com fobia, pois o primeiro se limita tanto na duração como na intensidade, sendo tolerável, quase sempre inofensivo e às vezes até importante, o segundo porém não é justificável pela forma e proporção com que se manifesta e permanece prejudicando a vida do indivíduo.

Existem muitas espécies de fobias, e estas crescem em diversidade a cada tempo, e por isso merece atenção e cuidado, dados os prejuízos que pode acarretar.  Toda fobia é tratável pelo enfrentamento, ou seja, o fóbico precisa ser levado á confrontar a fobia e vencê-la.

Fobias interessantes
aversão e medo mórbido irracional, desproporcional e persistente de :

  • Ablutofobia = lavar-se ou de tomar banho.
  • Acarofobia = parasitas ou insetos e as suas picadas.
  • Aerofobia =  corrente de ar de aspirar ar contaminado ou substancias nocivas.
  • Angrofobia –  se tornar antipático.
  • Antropofobia =  homens.
  • Rhytifobia = ter rugas.
  • Boulimífobia = ter fome devoradora, compulsiva, aumento do apetite.
  • Cacofobia = sua feiúra que poderá criar rejeição amorosa.
  • Cainofobia = qualquer coisa que seja nova e que não possa lograr sucesso ou ser vencido.
  • Falacrofobia = e repugnante de ficar calvo.
  • Decidofobia = tomar decisões.
  • Defecaloeiofobia = aos espasmos dolorosos de do intestino ou de defecação dolorosa.
  • Eclesiofobia = e repugnante à igreja.
  • Graphofobia = de escrever a mão na presença de outras pessoas.
  • Hamartofobia = de vir a pecar.
  • Judicofobia = do julgamento que os outros fazem de nós.
  • Katagelofobia = e repugnante a ser ridicularizado.
  • Xenofobia = e repugnante a estrangeiros.
  • Maniafobia = vir a enlouquecer.
  • Ophofobia = de aprender

Lembre-se, o fóbico precisa ser levado á confrontar a fobia e vencê-la.

 

 

TRANSFERÊNCIA

Transferência é um processo pelo qual o paciente vive em suas relações atuais, especialmente com seu terapeuta no decorrer da livre associação, as relações que teve com pessoas próximas na infância, e isso de forma acentuada.

Considera-se transferência aquilo que é uma repetição do passado e é caracterizado por ser inadequada.

A transferência se dá geralmente com pessoas que representam alguma autoridade como no relacionamento professor-aluno, médico-paciente, patrão-empregado, pastor-ovelha, etc.

No caso do analista, o paciente pode transferir a ele o papel do pai que não teve, do amigo que sempre traiu, do amor que perdeu, da mãe que o espancava, do assassino do irmão, do patrão que o explorava, do pastor ou padre que o oprimia, etc.

A transferência é inconsciente, o paciente não predetermina.

CONTRATRANSFERÊNCIA 

A contratransferência é uma resposta emocional ante ao paciente e acontece quando o analista aceita o que o paciente transfere a ele, interagindo inconscientemente com isso.

“contratransferência é o conjunto das reações do analista, referidas à pessoa do analisando, particularmente à transferência deste”.

A transferência pode ativar no analista, conflitos internos que o perturbarão e o complicará no processo de análise do paciente, o que já constitui contratransferência.

A contratransferência caracteriza-se semelhantemente à transferência, pois o analista transfere ao paciente o papel de pessoas importantes na sua infância, gerando dificuldade de comunicação com o paciente.

Também, um analista nessa situação terá muitas dificuldades para desempenhar-se como profissional, tendo talvez, de se submeter a um tratamento terapêutico.

ALIANÇA TERAPÊUTICA

A aliança terapêutica pode ser considerada como uma transferência consciente. Não se trata de uma neurose, sendo favorável e colaboradora indispensável ao processo analítico. Essa aliança não requer interpretação por ser consciente, mas deve ser alimentada e reforçada.

Há aliança terapêutica quando analista e paciente se identificam e se respeitam, desejando cumprir seus respectivos papeis no consultório

PROJEÇÃO.

O indivíduo atribui a outro alguém, qualidades, sentimentos, e/ou desejos que ele desconhece ou recusa ter. É sentir e dizer que o outro é que sente.

Ex.: A) O garoto tem cabelo ruim, e vê num ator infantil o cabelo liso como o que ele gostaria de ter, então diz que o cabelo do ator é muito feio e ruim. Ele projetou no ator o próprio complexo.

B) O funcionário diz ao empresário: “Cuidado com o fulano, creio que ele pode te roubar”. No caso da projeção, esse indivíduo atribui ao colega de trabalho a sua tendência criminosa.

Um jogador de tênis que, ao perder uma partida, justifica sua perda botando a culpa na qualidade da raquete (aqui se assemelha ao deslocamento);

outro exemplo – fato de tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, mas na verdade o único agente cometendo hostilidade somos nós, a outra pessoa está agindo normalmente;

Outro exemplo pode ser o marido feio que exige que sua mulher seja bela, mas na verdade ele pode estar projetando o desejo de ser belo na mulher, já que foi incapaz de cumpri-lo.

NEGAÇÃO.

Negar sensações dolorosas. Agir inconscientemente negando um fato existente, para evitar sofrimentos. Mecanismo de defesa que se baseia em simplesmente negar os fatos acontecidos à base de mentiras que acabam se confundido e na maioria das vezes contrariando uma à outra. Ex – um garoto que, ao ser acusado de roubo (e realmente é culpado), diz: “Eu não tenho nada comigo! Eu achei no chão e o dono da loja me deu!”.

Tô na bênção… O sujeito está pra morrer e diz estar ótimo.

Um artista outrora famoso entra em decadência profissional, mas

mantém a aparência e age como se ainda estivesse no auge.

 

INCONSCIENTE PRÉ-CONSCIENTE, CONSCIENTE

ž consciente – diz respeito à capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias do momento;

ž pré-consciente- relaciona-se aos conteúdos que podem facilmente chegar à consciência;

ž inconsciente- refere-se ao material não disponível à consciência

ID – Princípio do prazer – processo primário do pensamento

Ego – Princípio da realidade -processo secundário pensamento –

Superego – imperativos morais

Interpretação de Sonhos

Foi no decorrer dos estudos psicanalíticos que Freud se deparou com a interpretação dos sonhos. Seus pacientes assumiam o compromisso de lhe comunicar todas as idéias ou pensamentos que lhes ocorressem em relação a um assunto específico, e entre outras coisas, narravam os seus sonhos. Assim ensinaram a Freud que o sonho pode ser inserido na cadeia psíquica a ser retrospectivamente rastreada na memória a partir de uma idéia patológica. Patologia -do grego páthos, doença, e lógos, estudo

No entendimento de Freud, o sonho é a realização de um desejo, e porta para o inconsciente.

 

RECALQUE

Recalque: s.m. O mesmo que recalcamento. / Processo inconsciente pelo qual uma idéia, sentimento ou desejo que o indivíduo tem por repugnante é por este excluído de admissão consciente mas persiste na vida psíquica, causando distúrbios mais ou menos graves. (Deve-se a Freud a teoria do recalque.)

Trata-se de uma ‘forma ou opção de solução’ proporcionada pelo aparelho psíquico. Essa forma porém, pode servir de paliativo, mas não de solução concreta, pois sentimentos recalcados sempre se manifestam ante situações semelhantes às que lhe deram razão de existir.

O recalque portanto, é a medida defensiva fundamental do ego que acorre em momentos de grande conflitos psíquicos que visa aliviar o ego das pressões esmagadoras e simultânea do ID e do SUPEREGO

Sublimação

Sublimar: v.t. Tornar sublime; exaltar, engrandecer: a arte permite sublimar as paixões. / Fig. Purificar, expurgar de toda imperfeição ou impureza: sublimar os sentimentos. / Química Fazer passar diretamente do estado sólido ao estado gasoso. / Psicanálise Realizar a sublimação.

Segundo Freud, ‘a sublimação é o mais eficaz dos mecanismos de defesa, na medida em que canaliza os impulsos libidinais para uma postura socialmente útil e aceitável.’

Ocorre quando os impulsos são canalizados para um fim nobre, sadio.

É um bem, é um disfarce para driblar o ego. Ou seja, o impulso é de ferir, ver sangue… com o efeito sublimação, o indivíduo se torna um cirurgião, ou seja, trabalhará vendo sangue humano, porém, para beneficiar.

Outro exemplo pode ser o seguinte: uma criança injustiçada na infância e indignada por causa da injustiça, quando adulta, ao invés de se tornar criminosa, torna-se advogado, juiz, ou policial, etc.

Histeria

“É que verificamos, a principio com grande surpresa, que cada sintoma histérico individual desaparecia, deforma imediata e permanente, quando conseguiam os trazer à luz com clareza a lembrança do fato que o havia provocado e despertado o afeto que o acompanhara, e quando o paciente havia descrito esse fato com o maior número de detalhes possível e traduzido o afeto em palavras. Freud

“Classe de neurose (a histeria) que apresenta quadros clínicos muito variados. As duas formas sintomáticas, mais bem identificadas são a

histeria de conversão, em que o conflito psíquico vem simbolizar-se nos sintomas corporais mais diversos, paroxísticos (exemplo: crise emocional com teatralidade) ou mais duradouros (exemplo: anestesias, paralisias histéricas, sensação de bola faríngica etc.), e a histeria de angústia  em que a angústia é fixada de modo mais ou menos estável neste ou naquele objeto exterior(fobias).

Dor paroxística = aquela que vem em crises, em acessos, no seu momento de maior intensidade, frequência e/ou duração.

 

Psicose

(psic= mente, ose = condição anormal). – Delírio/fantasia.

A lei é foraclusão, ou seja, não está presente no aparelho psíquico.

é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma “perda de contacto com a realidade”, pela incapacidade de adaptação social, por perturbações da comunicação e ausência de consciência da doença.

Para Freud a psicose é resultado do conflito entre o ego e o mundo exterior.

Diante da frustração de fortes desejos infantis, o ego nega a realidade externa e procura construir através do delírio um mundo interno e externo de acordo com as tendências do id.

A psiquiatria distingue duas classes de psicoses: as orgânicas onde uma enfermidade orgânica é encontrada como causa e as funcionais onde não há lesão orgânica demonstrável.

Três formas de psicose funcional são reconhecidas: a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva (ou transtorno bipolar) e a paranóia.

Perversão

Transgressão da lei – sente que ‘lucra’ ao transgredir. Não há pena, remorso e nem arrependimento.

Tanto a psicose como a perversão estão ligados à abusos, violências, desrespeito, etc, na primeira infância.

Diferença básica> Neurótico – transgride e se arrepende

                                        Psicótico – transgride por não conhecer a lei . dissociação

                                        Perverso – transgride ciente do erro que comete

Narcisismo

O termo narcisismo provém da Mitologia Grega, que narra a história de Narciso, um jovem muito bonito que desprezou o amor da ninfa Eco e por isso foi condenado a apaixonar-se por sua própria imagem espelhada na água. Este amor impossível levou Narciso à morte, afogado em seu reflexo. O narcisismo, portanto, retrata a tendência do indivíduo de alimentar uma paixão por si mesmo. Segundo Freud, isso acontece com todos até um certo ponto, a partir do qual deixa de ser saudável e se torna doentio, conforme os parâmetros psicológicos e psiquiátricos

 

Resistência

É a oposição à revelação dos conteúdos do  inconsciente.

A luta contra o psicanalista que ameaça a descoberta deste material  oculto.

O grande  objetivo da resistência é manter a neurose, evitando o sofrimento.

Para o paciente é melhor sofrer continuamente do  que vir a tona um sofrimento pelo qual ele  não se julga preparado para enfrentar, pois desconhece sua extensão.

A resistência pode ser consciente ou inconsciente (ATOS FALHOS ou LAPSOS)

RACIONALIZAÇÃO

Justificativa racional para todos os atos, de tal forma que não se julgue culpado. Uma procura de explicações, e “boas razões” para nossos fenômenos internos, nossos comportamentos e sentimentos.

Ex. Um rapaz que viaja de graça em um ônibus e busca várias justificativas para seu ato como “a passagem é muito cara”, “a empresa já tem muito dinheiro”, “eu pago passagem todo dia, um dia a menos não vai fazer diferença”.

Um aluno que, não conseguindo responder a uma questão, diz “isso não é interessante de saber mesmo”, “não respondi porque não tive tempo de estudar, pois lá em casa fazem muito barulho”

Alguém que não consegue algo que deseja e logo se justifica dizendo que, na verdade, não queria aquilo; ou um rapaz que foi dispensado por uma garota, da qual estava a fim, logo diz “ela nem era tão boa assim, era até feia, não sei como fui gostar dela”.

Identificação

O indivíduo pode diminuir ou evitar a angústia identificando-se com outras pessoas ou grupos, de forma a se proteger. Por exemplo, uma pessoa que sofreu um recente fracasso pode identificar-se com o triunfo de outras, como se aquele triunfo também fosse dela. Exemplo – Tendência de fazer algo considerado perigoso quando esta em grupo, assim o sentimento de culpa e angústia ligados a tal ação se dilui no grupo inteiro.

A maior parte das identificações ocorre no mundo da fantasia = exemplo a criança que se identifica com seu herói favorito, a moça que se identifica com a “mocinha” da novela etc. Algumas ocorrem, ainda, em grupos anti-ssociais, como grupos neonazistas, por exemplo; essas, a logo prazo, podem trazer dificuldades ainda mais sérias de ajustamento.

FORMAÇÃO REATIVA

Quando a repressão de fortes impulsos é acompanhada por uma tendência contrária, sob a forma de comportamentos e sentimentos exatamente opostos às tendências reprimidas, tal tendência é o que chamamos de  Formação reativa.

Exemplo – Uma pessoa demasiadamente valente pode ser reflexo de um medo do oculto

Recalque:

Exclusão de ideias, sentimentos e desejos que o indivíduo não quisera admitir e que, no entanto continuam a fazer parte da vida psíquica. É semelhante à repressão. Certos traumas e conflitos não resolvidos são recalcados e, se não forem resolvidos, podem se tornar neuroses, psicoses, ou doenças psicossomáticas.

Regressão

É o retorno do indivíduo a níveis anteriores do desenvolvimento sempre que depara com uma frustração. É uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento.

Ex. O choro das pessoas em certas situações pode ser uma regressão à infância, que pode ter tido uma situação em que o choro “resolveu” o “problema”, então a pessoa inconscientemente usa aquele mesmo “método” para “resolver” a nova situação.

 

 

 

 

Anexos

RIZZUTO, Ana-Maria – Porque Freud rejeitou Deus. Uma interpretação psicodinâmica São Paulo, Editora Loyola, 2002.

Por que Freud rejeitou Deus? – Entrevista Ana-Maria Rizzuto

No livro Por que Freud rejeitou Deus ? a psicanalista Ana Maria Rizzuto interpreta elementos contidos na teoria freudiana e em seu desenvolvimento para mostrar as razões que fizeram de Freud um opositor ferrenho da religiosidade e suas instituições. Na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Ana diz que “circunstâncias pessoais da vida de Freud, durante seu crescimento, não lhe permitiram a experiência da sensação de proteção”. Ana-Maria Rizzuto é psicanalista latino-americana radicada nos Estados Unidos. Trabalha criticamente as teorias de Sigmund Freud.

IHU On-Line – Por que Freud rejeitou Deus?

Ana-Maria Rizzuto – Circunstâncias pessoais da vida de Freud, durante seu crescimento, não lhe permitiram a experiência da sensação de proteção. Seus primeiros anos de vida foram marcados por mortes significativas: seu avô paterno, seu tio e seu irmão Julius. A última morte marcou a experiência psíquica de Freud para toda a vida. Ele teve outras perdas: sua babá, a quem foi superapegado, desapareceu de sua vida sem dar notícia. Freud, quando era pequeno, saiu de sua cidade natal, e seu pai perdeu o emprego. Depois, entrou para a escola pública, e pegaram seu tio favorito contrabandeando, prenderam-no e julgaram-no. Em suma, nenhum dos adultos com os quais Freud precisou contar foram capazes de oferecer-lhe proteção e segurança. Eles falharam com Freud de uma

maneira ou de outra. Meus estudos mostram que crianças precisam de modelos de confiança e figuras adultas para dar forma a uma representação de Deus que seja acreditável. Freud não teve essa experiência. Ele sentiu que tinha que tomar conta dele mesmo, sozinho. Para ele, em suas palavras, “não há nenhuma Providência” para prestar atenção nele. Como cientista, ele acreditou apenas nos métodos científicos que implica que tudo que não é provado cientificamente não existe. Esse segundo fator contribuiu para consolidar sua descrença na existência divina.

IHU On-Line – Qual a imagem que Freud tinha de Deus?

Ana-Maria Rizzuto – Eu não analisei Freud. Minha resposta não vem da exploração de sua mente, mas dos acessos indiretos que tive a seus escritos. De sua experiência, Freud concluiu que Deus descrito pela religião como uma divindade que nos protege, não existe. Na consciência dele, a representação de Deus clamava por um aspecto de proteção. A experiência emocional de Freud indicava para ele que nenhuma das figuras paternas nem os adultos de sua vida foram capazes de protegê-lo das perdas profundas e do sofrimento. Ele não teve experiências para formar sua crença na representação da providência e proteção de Deus.

IHU On-Line – Quem é Deus para Freud? Como definir Deus pelo olhar da psicanálise?

Ana-Maria Rizzuto – Freud demonstrou com material clínico que Deus e a opinião religiosa eram formadas como resultado da transformação das representações paternas, assim como no complexo de Édipo. Tal conclusão foi a mais significativa contribuição de Freud para a psicologia da religião. Pesquisas no mundo todo confirmaram as conclusões de Freud. Para Freud, Deus é construído sobre a representação do pai. Ele dizia que Deus é “uma exaltação do pai”, “uma sublimação do pai”, “um substituto do pai”, “uma cópia do pai” e finalmente que “Deus é o pai”. Freud negligenciou examinar o significado da mãe na formação da representação de Deus. Psicanálise é uma disciplina empírica e teórica. Sua metodologia não permite nenhuma conclusão sobre a existência de alguma divindade, pois tal divindade não pode ser sujeitada à pesquisa empírica. Apesar de tudo, psicanalistas observam que as pessoas acreditam em Deus ou que elas rejeitam Deus. Isso significa que elas têm uma representação de Deus que foi formada em suas mentes durante seu processo de crescimento. Acreditando ou não, a real existência de Deus não faz parte da psicanálise. E isso está diretamente relacionado com a qualidade das nossas relações emocionais com nossos pais, adultos e figuras religiosas.

IHU On-Line – Deus e Freud estão em campos opostos?

Ana-Maria Rizzuto – Não. Freud elucidou as Escolas de Psicologia da crença em Deus e a elaboração psíquica da representação da divindade. Freud, o homem, poderia não acreditar por causa de suas próprias experiências, cultura e circunstâncias científicas. Ele foi convencido de que a religião era essencialmente uma defesa baseada na projeção da figura paterna dentro de uma proteção e providência de Deus. Ele acreditou que a ciência poderia ajudar seres humanos a desistir da religião e renunciar ao desejo por proteção, como ele escreveu em The Future of an Illusion. Nas últimas décadas, a psicanálise aceitou e ampliou as dinâmicas freudianas no entendimento da formação da

representação de Deus e aceitou que crença e necessidades espirituais são componentes significativos dos seres humanos. (Fonte: http://www.unisinos.br/ihu)

Porque Freud rejeitou Deus?
Fonte: http://psicologiadareligiao.wordpress.com/2007/09/17/por-que-freud-rejeitou-deus/

Esta foi a pergunta motivadora que levou Ana-Maria Rizzuto a empreender uma pesquisa sobre o assunto, com resultados muito interessantes, disponibilizados ao público no livro sob o mesmo título.

Rizzuto conta que a busca por resposta à pergunta “por que Freud rejeitou Deus” começou quando se preparava para fazer uma palestra para a qual foi convidada, durante a exposição “As antiguidades de Sigmund Freud: fragmentos de um passado esquecido”, promovido pelo Freud Museum de Londres em comemoração ao qüinquagésimo aniversário da morte de Freud, no período de 28 de fevereiro a 5 de abril de 1992. Ao aceitar o convite, Rizzuto decidiu olhar mais de perto as coleções de Freud e ficou impressionada com a seguinte constatação: as “similaridades entre os objetos reproduzidos no catálogo [da exposição] e as ilustrações da Bíblia” que pertencia a Freud, presenteada por seu pai. Essa bíblia de Freud “continha mais de 500 gravuras de animais, árvores, objetos e paisagens mencionados no texto” – tratava-se, na verdade, de três volumes. Rizzuto então afirma:

Diante de mim estavam centenas de ilustrações bíblicas. Os objetos em exposição representavam apenas pouco mais de três por cento da coleção de Freud. Isso tornava ainda mais surpreendente o fato de que tantos objetos na mostra evocassem as ilustrações bíblicas. (…) As ilustrações bíblicas devem ter influenciado Freud na escolha dos objetos e talvez até mesmo em sua paixão por colecionar” (p. 13).

A partir dessa observação intrigante, Rizzuto toma então como sua tarefa “apresentar uma explicação psicanalítica para as similaridades”. Assim,

Seguindo o método de investigação do próprio Freud, explorei as circunstâncias de seu colecionamento, o significado pessoal explícito dos objetos, seus prováveis motivos inconscientes e a satisfação consciente que os objetos proporcionavam ao seu proprietário (p. 13).

No percurso de sua investigação, a autora dá-se conta de que a tese freudiana de que a religião perpetua a ilusão infantil de estar protegido por um pai bondoso levou-o a uma busca de libertação desse anseio considerado, por ele, como infantil. Rizzuto descobre que Freud, quando criança, formara em sua mente uma certa representação de Deus que merecia ser pregado e louvado. A partir dessa observação, sua tarefa passou a ser, então, a de descobrir as mudanças intrapsíquicas que transformaram a imagem de Deus que ele possuía quando criança, “em sua denúncia adulta de Deus como um produtor de desejos infantis” (p. 14).

O processo investigatório de Ana-Maria Rizzuto traz-lhe surpresas inusitadas acerca da relação de Freud com a bíblia e com o seu pai. O livro descreve o curso de suas investigações e revela os resultados. Rizzuto mostra, assim, que foi a partir da relação construída com seu pai (de onde provém a idéia de Deus, segundo o próprio Freud) que torna-se impossível a Freud desenvolver uma relação com Deus. A Freud restava uma única escolha, segundo Rizzuto: a de “aceitar que estava sozinho,

desprotegido, sem modelo, e que a evidente afeição de seus pais não podia ajudá-lo. (…) O único consolo para ele e para a raça humana era ser estoicamente auto-confiantes” (p. 252).

Para Rizzuto, a dor da pequena criança [de Freud quando criança] levou à insistência veemente em que todos devemos desistir de um Pai-Deus, incapaz de proporcionar qualquer proteção ou consolo. O sofrimento pessoal de Freud se tornara articulado em sua teoria sobre a religião para toda a humanidade. (…) Sua descrença desafiadora expressava a dimensão de sua integridade psíquica e também de sua coragem e de sua capacidade de sublimação: transformar o profundo sofrimento da criança e do adolescente numa nova ciência que abriu os horizontes inexplorados da mente humana. Deus fora substituído pela razão de Freud. O homem desprotegido criara sua própria autoproteção” (p. 252).

Freud generalizou sua experiência pessoal acreditando que esta deveria ser normativa. “Ao perder a perspectiva a respeito do seu próprio sofrimento pessoal, ficou cego para a ‘variedade das experiências religiosas”, descrita tão bem por William James, seu contemporâneo.

Enfim, a autora concluiu que as experiências infantis de Freud não lhe proporcionaram as condições psíquicas para a crença em Deus. “Seu Deus pessoal não tinha confiabilidade, não merecia crença. Uma forte descrença era a única proteção contra a dor intensa causada pelos anseios não-satisfeitos da criança, do adolescente e do adulto” (p. 253).

Rizzuto pontua que Freud dominou seu sofrimento e sua raiva transformando-os em “obras-primas”. Em outras palavras, poderíamos dizer que ao invés de se configurar um narcisismo reativo em sua subjetividade, as forças ativas, de criação e de afirmação da vida foram as que predominaram. Entretanto, esse modo como sua subjetividade compôs as forças de narcisação “não deixa de revelar, de forma disfarçada e sublimada, sua premente necessidade de uma proteção não conseguida” (p. 253).

Somos conselheiros ou Terapeutas?

Resumo do RELATÓRIO DE LEITURA SOBRE: PSICOTERAPIA X ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO, do artigo passado na aula de Aconselhamento Pastoral da FTBSP (Faculdade Teológica Batista de São Paulo)

Autor(a): PROF. JOSIAS DOS SANTOS BATISTA JUNIOR

INTRODUÇÃO

No dia-a-dia de um conselheiro, ele acaba atendendo variados tipos de pessoas e consequentemente de problemas. Estas variações o levam a atuar de formas diferentes, pois afinal, são pessoas diferentes e problemas diferentes, exigindo maneiras diferenciadas de trabalhar com os aconselhandos. Muitas vezes isto leva o conselheiro a chamar todo e qualquer trabalho seu de “aconselhamento”, porém, a realidade é que não é!
Há várias diferenças entre “Psicoterapia” e “Aconselhamento Psicológico”. Na verdade, essas diferenças são difíceis de ser detectadas com precisão, pois a linha que separa os dois é muito fina e é preciso muita atenção para que se possa vê-la. Contudo, partindo do artigo “Psicoterapia X Aconselhamento Psicológico”, procuraremos mostrar algumas definições sobre ambos, chegando a uma leve diferenciação, apesar de suas grandes semelhanças.

I. A DEFINIÇÃO DE ACONSELHAMENTO

O aconselhamento, normalmente, é um processo orientado pelo aprendizado, realizado em um ambiente social simples de um para um, ou seja, o conselheiro e o aconselhando.

O aconselhamento parte de um relacionamento face a face, com o alvo de ajudar o cliente a “aprender” ou “adquirir” novas habilidades que o capacitem a enfrentar e ajustar-se às situações da vida. É como se fosse um trabalho de “ajustes”, e não de “reforma” ou “reconstrução”.

O foco central no aconselhamento é ajudar a pessoa a alcançar seu “potencial” ou “desenvolvimento máximo” e funcionar plenamente como pessoa. Assim, no aconselhamento, partimos de uma personalidade já estruturada, mas que apenas necessita de alguns “melhoramentos”.

O aconselhamento visa, com isto, ajudar indivíduos a superar obstáculos ao seu crescimento pessoal e a alcançar o máximo desenvolvimento de seus recursos pessoais.
II. A DEFINIÇÃO DE PSICOTERAPIA

A psicoterapia já é o processo pelo qual um terapeuta assiste/ajuda a “reorganizar” a personalidade de uma pessoa. É como se fosse um trabalho de “reconstrução” ou “reforma” psicológica do cliente.

Também é objetivo da psicoterapia ajudar o cliente a assimilar “insigthts” no seu comportamento diário. Este alvo permite ao aconselhando relembrar momentos traumáticos e reeducar-se diante dos fatos ocorridos, para não ficar improdutivo quando situações semelhantes ocorrerem… o psicoterapeuta faz uso da conscientização, levando a pessoa a perceber que só ela poderá ajudar-se.

III. DIFERENÇAS E SIMILARIDADES

Nem todos os terapeutas entendem que haja diferenças entre aconselhamento e psicoterapia. Mas, partindo do que foi exposto, poderíamos dizer que existem diferenças sutis sim. Leona Tyler, por exemplo, afirmou que “para se remover problemas psíquicos e mentais ou livrar de limitações não é trabalho do conselheiro, mas do terapeuta que visa essencialmente a mudança ao invés de realização”.

1) Diferenças

Uma das maiores distinções entre aconselhamento e psicoterapia é o “foco”. No aconselhamento, o conselheiro vai focar o “aqui e agora” – situações da realidade. Na psicoterapia o terapeuta vida o “inconsciente” e o “passado”. Ele procura uma conexão do passado com problemas não resolvidos que agora se apresentam no mundo real.

O aconselhamento enfatiza o “normal”. Pode-se classificar de “normais” os que não possuem problemas “neuróticos” mas que se formaram vítimas de pressões do “ambiente externo”. A ênfase da psicoterapia, no entanto é nos “neuróticos” ou outros problemas emocionais sérios. O aconselhamento pode ser descrito como “solucionador” de problemas contemporâneos, sendo que a psicoterapia é mais “analisadora” de problemas históricos.

O prazo de tratamento também difere entre aconselhamento e psicoterapia. O aconselhamento é sempre mais curto que a terapia. Como a psicoterapia é mais uma “reeducação” compreensiva do cliente, a intensidade e o tempo da terapia dependem de como o cliente lida com todas as novas informações. Um aconselhamento, por exemplo, é feito em uns poucos encontros com o aconselhando, enquanto a terapia pode durar de 2 a 5 anos (sabe-se de casos que demoraram até mais). [eu diria meses ou anos]

Uma sessão de aconselhamento geralmente ocorre em local “não-médico”, como um escritório. Já a psicoterapia é um termo usado para tratamento em ambiente “médico”, como uma clínica ou hospital. [eu diria uma sala estruturada para esse fim]

O aconselhamento desenvolve um relacionamento pessoal com o cliente, mas ele não permite nem estimula fortes sentimentos de “transferência” como faz o psicoterapeuta. Os conselheiros também encaram a resistência como algo oposto ou que vai contra a solução do problema, e tenta reduzi-la ao máximo. O psicoterapeuta, no entanto, acha a resistência muito importante. Se o terapeuta consegue compreender a resistência do seu cliente, ele poderá saber ajudar o cliente a mudar sua personalidade. [eu diria: os mecanismos de defesa do ego inclui a resistência, que pode sinalizar o ponto ou um dos pontos de ancoragem de neurose]
2) Similaridades

São similares porque ambos usam uma abordagem eclética. Não usam um único método, mas fazem uso de diferentes técnicas. O aconselhamento e a psicoterapia chegam a ser idênticos nos aspectos “essenciais”. A “natureza do relacionamento”, que é considerado básico, essencial, tanto no aconselhamento como na psicoterapia é idêntica! [eu diria: a aliança terapêutica é semelhante á confiabilidade entre conselheiro e aconselhado]. A natureza de ambos é o sentimento de “ajuda psicológica”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Parece que a maior diferença entre aconselhamento e psicoterapia é o “tempo” focado em cada abordagem dessas. Enquanto o aconselhamento basicamente lida com situações de “realidade”, a psicoterapia foca o “passado” inconsciente da pessoa.
Então, o conselheiro lida com problemas de “ajustamento” enquanto o psicoterapeuta lida com “problemas não resolvidos” do passado da família de origem.
Enfim, no fim do artigo, chegou-se à conclusão que há diferenças entre os dois!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

FREUD, Sigmund. Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro. IMAGO EDITORA (1969-80)

Apostila Psicanalise Clínica – FATUS

MENDES, José Deneval. Conhecendo a Verdade. 1.ed. Vitória : Gráfica, 1986. 104p.

BOYER, Orlando. Enciclopédia Bíblica. 28.ed. São Paulo : Vida, 1999. 672p.

SILVA, Ezequias Soares. Seitas e Heresias: 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. 96p.

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Fundamentosfreud.vilabol.uol.com.br/biografia.html, acessado em 12 set. 2008.

BARROS, C. S. G. PONTOS DE PSICOLOGIA GERAL. Ática, São Paulo: 2004.

MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro. Zahar. Jorge Zahar Editor (2008)

MARCONDES, Antônio. Curso de Filosofia.. Rio de Janeiro. Zahar. Jorge Zahar Editor (2008). 13ª Edição

AQUINO, Tomás de. SCG, II, c. 57, 4, p. 264:

ROSA, Merval. Psicologia da religião 2ª edição, rio de janeiro, Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1979

CARL GUSTAV, Jung. Psicologia e Religião. Obras completas de C.G.Jung; vII/I. Vozes, 1978.

W.BAKER, Mark. Jesus, O maior psicólogo que já existiu. Editora Sextante 2001

Índice

Introdução                                                                                                                                   01

A PROPOSTA DA PSICANÁLISE FREUDIANA                                                                                   01

A PSICANÁLISE E A EXISTÊNCIA DE DEUS                                                                            02

A RELIGIÃO                                                                                                                                  03

O PONTO DE CONFLITO – O PONTO DE ATUAÇÃO DA PSICANÁLISE NO HOMEM  04

A natureza da alma segundo a bíblia                                                                                    06

A ALMA COMO PONTO DE ATUAÇÃO DA PSICANÁLISE                                                 06

A BÍBLIA E A PSICANÁLISE                                                                                                        07

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO PSICANALÍTICO POR PARTE DOS CRISTÃOS              08

FREUD EXPLICA                                                                                                                          15

BASES DA  PSICANALÍSE CLÍNICA                                                                                           16

Anexo 01 – Porque Freud rejeitou Deus?                                                                  26

Anexo 02 – Somos conselheiros ou Terapeutas?                                                 29

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS                                                                                                          31